O narcotraficante Gerson Palermo, além de conhecido por ser condenado a 126 anos de prisão e foragido há cinco anos, por ser libertado por ‘erro’ de juiz de Mato Grosso do Sul, agora passa a ser visto também como ‘pai monstro’, porque teria mandado sequestrar a própria filha em Campo Grande. A acusação a Palermo seria para ele reaver a quantia de R$ 50 mil da família da jovem, que ficou em cativeiro tendo sida até mais tortura no local, além do psicológico abalado pela situação.
Palermo, foragido, veja histórico abaixo sobre sua soltura errada, via defesa, nega a ação contra a jovem, que acabou libertada no Bairro Moreninha, no sábado (24), após ser torturada no cativeiro, de onde teria tido um resgate. A libertação da garota, terminou na prisão de um dos sequestradores.
O advogado Amilton Ferreira, que atua na defesa de Palermo, afirma que o valor citado é apenas de R$ 50 mil, referente à venda de cabeças de gado. Mas, apontou que o cliente não tem envolvimento com o então sequestro. “É uma briga familiar”, resumiu, sem dar outros detalhes. “Você já viu pai ou mãe mandar sequestrar filho?”, questionou.
A vítima afirma que nunca esteve de posse da quantia e que foi a mãe quem a utilizou ao longo dos anos. A jovem ainda afirma que a mãe dela está com Gerson Palermo na Bolívia.
Apuração aponta para acusação
Conforme a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), que passou a investigar o caso, a investigação aponta que Palermo orquestrou o sequestro.
O narcotraficante foragido de MS, teria chegado a fazer ligações de ameaças de morte à família durante o período em que a filha estava em poder dos sequestradores, da última sexta-feira para sábado (25).
Segundo descrito em B.O (Boletim de ocorrência), em uma ligação ao avô materno da jovem, Palermo, afirmava que não iria acontecer nada com a filha caso “devolvessem o dinheiro”. Também afirmou que estava sendo ameaçado e que todos iriam “morrer por causa desse dinheiro”
Entenda o caso
A jovem foi sequestrada na saída do trabalho, na região central da Capital. Para atraí-la, segundo a investigação, o pai ligou afirmando que mandaria alguém entregar uma quantia em dinheiro, a fim de ajudar nos custos do tratamento de saúde da avó, que está acamada. Quando essa pessoa chegou, ela entrou no veículo e foi sequestrada.
Conforme B.O descreve, dois homens estavam no carro e disseram, que queriam receber dinheiro do “velho”, apelido dado a Gerson Palermo. Na sequência, a vítima foi levada ao cativeiro, um imóvel abandonado no Bairro Moreninha. Lá, foi torturada com agressões físicas e psicológicas.
Em fotos que os sequestradores chegaram a mandar ao marido da vítima, ela aparecia amarrada. Eles exigiam o dinheiro em troca da libertação. O marido avisou o Garras que passou a investigar o caso e fez procedimentos.
Durante as diligências da polícia, a jovem foi libertada no Bairro Moreninha. Ela ligou de uma loja de conveniência para o marido durante o resgate, acompanhado pelo Garras. Aos policiais, confirmou que o pai orquestrou o sequestro e que ele está escondido com a mãe dela na Bolívia.
Contato filha e pais – Prisão de sequestradores
Os sequestradores não saíram de mãos abanando. Levaram um iPhone 16 Pro Max da vítima e um MacBook. Como sabia que o pai havia orquestrado o sequestro, a jovem então avisou a mãe que não poderia ficar sem os aparelhos porque os usa para o trabalho. Os pais não sabiam que a filha já estava em conversa com a polícia.
A mãe, então, intermediou a devolução dos aparelhos em um açougue no Jardim Leblon. Os policiais também acompanharam esse momento e chegaram a um dos sequestradores, Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos. A vítima o reconheceu, assim como mensagens encontradas no celular do suspeito demonstraram que era ele quem pedia o resgate ao marido da vítima.
Reinaldo foi preso em flagrante pelos crimes de extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça, permanecendo à disposição da Justiça. A residência do cativeiro foi periciada, e as investigações continuam para identificar e prender os demais envolvidos, entre eles um possível integrante de facção criminosa foragido da Justiça.
Chefão do tráfico
Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão, está foragido desde 22 de abril de 2020, quando teve a prisão domiciliar revogada no mesmo dia em que retirou a tornozeleira eletrônica. Conhecido nacionalmente pelo histórico de crimes ligados ao tráfico de drogas e ao assalto a bancos, ele ganhou notoriedade ao sequestrar um avião da Vasp em 2000, desviando a rota da aeronave para Porecatu (PR), onde pretendia roubar R$ 5,5 milhões em malotes bancários.
A liberação de Gerson Palermo em 2020 resultou em uma crise jurídica e administrativa dentro dos sistemas de Justiça Federal e Estadual. O detento recebeu o benefício da prisão domiciliar durante a pandemia da covid-19, decisão autorizada pela Justiça Federal em Campo Grande, sob a justificativa de evitar risco de contaminação em presídios.
No entanto, no mesmo dia da concessão, a Justiça revogou a medida e determinou o retorno imediato de Palermo à prisão. Ele já havia deixado a unidade penal e retirado a tornozeleira eletrônica, desaparecendo desde então.
O caso expôs falhas na comunicação entre o sistema penitenciário e o Judiciário, já que o mandado de recolhimento não foi cumprido a tempo.

























