Dinheiro Público

Papy ‘pega carona’ e decide gastar quase R$ 187 mil com passagens

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O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Papy (PSDB), assinou recentemente a homologação de uma licitação que prevê um gasto de aproximadamente R$ 186.880,64 com passagens para o Legislativo Municipal.

A contratação foi feita por meio de uma modalidade conhecida como ‘carona’, que consiste na adesão à ata de registro de preços da Secretaria de Administração do governo de Mato Grosso do Sul.

De acordo com os documentos do processo, R$ 165.304,64 serão destinados à compra de passagens aéreas, enquanto R$ 21.576,00 estão reservados para bilhetes rodoviários.

A empresa vencedora dessa licitação é a Easycred Serviços de Crédito e Turismo Ltda. (CNPJ 15.254.654/0001-19), e a homologação do processo foi publicada no Diário do Legislativo nesta terça-feira (1º).

A justificativa apresentada para essa contratação é a necessidade constante de deslocamentos de servidores e agentes políticos para diversas localidades, seja por via aérea ou terrestre. Segundo a Câmara, esses deslocamentos são essenciais para o cumprimento de agendas institucionais, participação em eventos, capacitações, missões oficiais e outras atividades relacionadas às funções legislativas e administrativas do órgão.

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Um dos benefícios apontados pela Câmara na utilização da ‘carona’ é que, enquanto outras agências cobram uma taxa para intermediar as viagens, a Easycred oferece um desconto de 5% sobre o valor líquido das passagens, o que, segundo o órgão, representa uma vantagem financeira.

 Contrato suspeito e investigação do Ministério Público

Porém, nem tudo é tranquilo. Um outro contrato firmado pela Câmara Municipal de Campo Grande está sob investigação do Ministério Público. A 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na contratação do escritório Bastos, Claro & Duailibi Advogados Associados, que presta serviços de assessoria jurídica à Casa de Leis. O contrato, que foi firmado por dispensa de licitação, dobrou de valor entre 2022 e 2025, passando de R$ 150 mil para R$ 300 mil.

O objeto do contrato é a prestação de serviços jurídicos, mas a sociedade de advogados tem ligações polêmicas. Uma das sócias, Camila Bastos, é filha do desembargador Alexandre Bastos, que chegou a ser afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e monitorado por tornozeleira eletrônica durante a Operação Última Ratio, deflagrada pela Polícia Federal em outubro do ano passado.

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A operação investigou um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Além disso, a sociedade inclui Kátia Claro, esposa do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (União Progressista). O Ministério Público de MS investiga se houve irregularidades na contratação, especialmente considerando que os contratos de 2022 e 2025 têm a mesma descrição de objeto, embora o valor tenha sido duplicado.

Essas investigações reforçam a necessidade de transparência e fiscalização na gestão pública, especialmente em contratos de grande valor e com vínculos que podem levantar suspeitas de irregularidades.

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