Antes mesmo de o boletim de ocorrência por assédio sexual vir a público, apenas duas vereadoras de Cuiabá Maria Avalone e Maysa Leão haviam assinado o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apresentado pelo vereador Daniel Monteiro para investigar o secretário William Leite de Campos. À época, as denúncias ainda não tinham repercussão na imprensa. Ainda assim, houve posicionamento.
Com a revelação oficial do BO, o contraste tornou-se inevitável: das oito vereadoras da capital, seis permanecem em silêncio e sem apoio à investigação Samantha do Abílio, Paula Calil, Michelly Alencar, Dra. Mara, Baixinha Giraldelli e Katiuscia Manteli. A ausência de manifestação, diante de uma acusação grave envolvendo possível abuso de poder e constrangimento contra uma servidora, deixa de ser apenas cautela política e passa a soar como omissão institucional.
William, que atuou como chefe de gabinete no início da gestão e é considerado homem de confiança do prefeito Abílio Brunini, ocupa posição estratégica dentro da administração municipal. Justamente por isso, a apuração rigorosa não deveria ser tratada como gesto de oposição, mas como obrigação mínima de transparência e respeito às vítimas de possíveis violências dentro do serviço público.
Em qualquer parlamento comprometido com controle e fiscalização, a simples existência de denúncia formal já seria suficiente para justificar investigação independente. CPI não é condenação antecipada é instrumento democrático para esclarecer fatos. Negar esse mecanismo, sobretudo quando envolve figura próxima ao Executivo, fragiliza a credibilidade da própria Câmara.
O silêncio prolongado das seis vereadoras também carrega dimensão simbólica. Em um cenário político que frequentemente cobra maior representatividade feminina e defesa ativa contra a violência de gênero, a falta de posicionamento diante de uma denúncia dessa natureza produz ruído difícil de ignorar. Não se trata de prejulgar culpabilidade, mas de garantir que acusações graves sejam tratadas com a seriedade que exigem.
A sociedade cuiabana observa. E, quanto mais o tempo passa sem explicações claras, mais a percepção pública tende a associar a resistência à CPI a proteção política. Transparência tardia raramente convence.
Neste momento, a pergunta que permanece não é apenas sobre o teor das denúncias, mas sobre o compromisso do Legislativo municipal com a verdade — doa a quem doer.























