Dinheiro Público

Contrato de R$ 16,4 milhões é renovado por Tangará com empresa alvo de investigação por cartel na Saúde

publicidade

A Prefeitura de Tangará da Serra renovou um contrato de R$ 16.449.587,40 com a LGI Médicos Ltda., empresa investigada na Operação Espelho por suposto envolvimento em um esquema de cartel, fraudes em licitações e organização criminosa na área da Saúde em Mato Grosso.

O Termo Aditivo nº 00034/ADM/2026, assinado em 27 de fevereiro de 2026, prorrogou por mais 12 meses a prestação dos serviços da empresa no município, estendendo a vigência do contrato até março de 2027. O novo valor incorpora reajustes anuais pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A renovação ocorre enquanto permanece em vigor uma decisão da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que determina ao Governo de Mato Grosso e aos 142 municípios do Estado que não celebrem nem mantenham contratos com nove empresas citadas nas investigações da Operação Espelho, entre elas a própria LGI Médicos Ltda.

Empresa é alvo de ação penal por suposto esquema milionário

O sócio-administrador da empresa, o cirurgião geral Luiz Gustavo Castilho Ivoglo, foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) juntamente com outros 21 investigados.

Os réus respondem por supostos crimes de organização criminosa, peculato e fraude à licitação. Na ação penal, o Ministério Público requereu o ressarcimento de R$ 57,5 milhões aos cofres públicos e obteve o sequestro judicial de aproximadamente R$ 35 milhões em bens dos investigados.

Apesar do processo em andamento, a empresa continua responsável pela gestão e fornecimento de serviços especializados de anestesiologia, cirurgia geral, ortopedia e ginecologia no Hospital Municipal Arlete Daisy Cichetti de Brito, em Tangará da Serra.

Leia Também:  Abre o olho, prefeito: Denúncia aponta publicidade nas mãos de petistas

Contrato aumentou quase R$ 2 milhões desde a assinatura

O contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa sofreu três reajustes desde sua celebração.

A evolução dos valores foi a seguinte:

  • Contrato original: R$ 14.549.999,50
  • 1º reajuste (3,86%): R$ 15.111.629,40
  • 2º reajuste (4,77%): R$ 15.832.454,04
  • 3º reajuste (3,898%): R$ 16.449.587,40

Com os reajustes, o contrato teve acréscimo de aproximadamente R$ 1,9 milhão em relação ao valor inicialmente contratado.

Empresa venceu licitação dias após abrir filial

Documentos apontam que a LGI Médicos abriu uma filial em Tangará da Serra em 2 de junho de 2025.

Apenas três dias depois, a empresa foi declarada vencedora da licitação promovida pela administração do prefeito Vander Alberto Masson, passando a prestar os serviços especializados ao Hospital Municipal.

Auditorias apontam descompasso entre contratos e estrutura financeira

Relatórios técnicos utilizados nas investigações chamam atenção para a estrutura financeira da empresa.

Embora possua capital social registrado de R$ 900 mil, a LGI Médicos acumulou contratos milionários com o poder público.

Somente junto à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), a empresa teria faturado R$ 44.032.878,54 entre 2019 e 2022.

Os auditores avaliam se a capacidade financeira da empresa era compatível com o volume de contratos públicos assumidos.

Investigação apura pulverização societária

Outro ponto analisado pelos investigadores é a alteração na composição societária da empresa.

Entre 2023 e 2025, a LGI Médicos incluiu 16 novos sócios em seu quadro societário sem aumentar o capital social.

Segundo as investigações, a estratégia pode caracterizar uma pulverização societária destinada a dificultar bloqueios judiciais sobre o patrimônio do sócio majoritário.

Leia Também:  Brasilândia adere a ata de Cuiabá e vai gastar R$ 1,7 milhão com aluguel de computadores

Também é alvo de apuração a participação de Carine Quedi Lehnen Ivoglo, ex-sócia da empresa e igualmente denunciada na Operação Espelho.

Ministério Público aponta atuação coordenada entre empresas

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, a Operação Espelho revelou uma estrutura empresarial que ultrapassaria uma única empresa.

As investigações apontam que Osmar Gabriel Chemim, apontado como co-líder da organização ao lado de Luiz Gustavo Ivoglo, controlava simultaneamente as empresas Curat Serviços Médicos e Bone Medicina Especializada, companhias que deveriam disputar licitações entre si.

Os investigadores sustentam que havia coordenação entre as empresas participantes das licitações, configurando um possível cartel destinado a direcionar contratos públicos.

A investigação também aponta conexões operacionais com a empresa Medtrauma, igualmente proibida de contratar com o poder público e investigada por suposto superfaturamento em outros estados.

CPI da Saúde acompanha o caso

Os desdobramentos da Operação Espelho chegaram à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Durante 2026, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde convocou Luiz Gustavo Ivoglo para prestar esclarecimentos sobre os contratos firmados e a estrutura das empresas investigadas.

Após a renovação contratual realizada pela Prefeitura de Tangará da Serra, relatórios técnicos recomendam que o Ministério Público solicite a íntegra do Processo Licitatório Eletrônico nº 147/2022 e avalie eventual adoção de medidas para a rescisão do contrato, caso sejam constatadas hipóteses previstas na Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

A reportagem permanece aberta para manifestação da Prefeitura de Tangará da Serra e da LGI Médicos Ltda. Caso encaminhem posicionamento, o conteúdo será atualizado para contemplar suas versões dos fatos.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide