Um Mato Só

Força-tarefa que desmonta esquema de licitações frias em MT segue rastros de empresa que opera em MS

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Logo após a polêmica divisão de Mato Grosso, com a criação de Mato Grosso do Sul, foi cunhada a expressão conformista sugerindo que “tudo é um mato só”. A frase cabe na definição de coisas nobres, entre as quais as identificações culturais e históricas, como também pode se aplicar aos malfeitos. Um exemplo está ocorrendo agora, a partir das investigações que desencadearam em Cuiabá (MT) a Operação Gomorra, deflagrada em 2024 contra um grupo especializado em fraudes licitatórias e contratos de órgãos públicos, especialmente prefeituras.

RASTREAMENTO – O avanço das investigações levou a força-tarefa a realizar a segunda fase da operação, cumprindo 10 mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos telemático e fiscal, afastamento de servidores públicos de suas funções e indisponibilidade de bens. Entre os alvos estão o prefeito Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), de Campo Verde (MT), e seu secretário de Obras, Rubens Anunciação Júnior.

Também como resultado dos avanço das investigações, a força-tarefa constatou que o esquema se estendeu a prefeituras sulmatogrossenses, por meio da empresas preparadas pelo grupo para vencer concorrências. Além da Centro América Frotas, outra empresa sob investigação é a Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda. As ramificação deixaram rastros para o Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), Polícia Civil, Controladoria-Geral do Estado (CGE) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

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Na primeira etapa, a operação começou investigando as suspeitas de adulteração de notas fiscais no desvio de combustível e prática de sobrepreço em contratos celebrados pela Prefeitura de Barão de Melgaço (MT), durante o período de 2020 a 2024. A entrada investigatória em Mato Grosso do Sul teve como pivô a Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda, que se instalou no Estado com contratos superiores aos R$ 150 milhões. A empresa tornou-se ré por fraude no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

OPERADORES SECRETOS – Existem vários questionamentos, dúvidas e curiosidades sobre os nomes de operadores do sistema criminoso que atuam mais nos bastidores, têm poderosas coberturas políticas e são auxiliados por colaboradores “laranjas” infiltrados nos poderes públicos. Mesmo tendo a sua sede em Chapada dos Guimarães, a empresa expandiu rápida e miraculosamente sua presença nos dois Mato Grosso. Suspeita-se que Edézio Corrêa, apontado como controlador do grupo, seria na verdade um testa-de-ferro.

Naquelas investigações iniciais, os agentes da força-tarefa encontraram rastros do esquema nas prefeituras de Amambai, Juti, Paranaíba, Bonito, Água Clara, Pedro Gomes, Sonora, Miranda, Jaraguari, Terenos, Antônio João, Inocência, Ivinhema Anaurilândia, Jardim, Rio Verde, Bela Vista, Brasilândia e Chapadão do Sul. Nesta última, só em abril foram celebrados três contratos com o grupo. O modelo desses contratos serviu de guia para Brasilândia formalizar sua adesão.

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