Governo insiste em segurança, mas vistoria revela falhas graves na estrutura
A situação da ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Porto Morrinho, voltou ao centro das preocupações após imagens enviadas por leitores do Pauta Diária mostrarem o agravamento das condições da estrutura. Buracos, fissuras, armaduras expostas e até deslocamento de lajes têm sido percebidos por quem passa diariamente pelo local e, apesar disso, o Governo do Estado insiste em afirmar que a ponte “está segura”.
Motoristas que dependem do trajeto relatam medo e indignação. Antônio Nogueira, que cruza a ponte semanalmente, foi direto:
“Vão deixar acontecer uma tragédia para eles consertarem.”
A crítica ecoa entre moradores e viajantes que usam o trecho, e agora encontra respaldo também na esfera judicial. Mesmo com o Governo sustentando que não há riscos, a Justiça determinou medidas emergenciais imediatas após acatar pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Segundo o promotor Pedro de Oliveira Magalhães, a situação é grave:
“Os dados técnicos demonstram risco iminente à população e ao meio ambiente.”

Laudo da Defesa Civil contradiz discurso oficial
A decisão judicial se baseia em um laudo elaborado pela Defesa Civil de Corumbá após vistoria realizada em setembro. O documento aponta problemas que não deveriam ser ignorados por nenhuma gestão responsável: buracos ao longo da pista, fissuras na estrutura, ferragens expostas e deslocamento de lajes, indícios claros de degradação avançada que comprometem a segurança da travessia.
Mesmo diante desse cenário, Estado e Agesul deixaram de adotar providências rápidas, o que motivou o pedido do MPMS. A inércia do poder público reforça a sensação de abandono da região, que há anos convive com promessas e notas oficiais enquanto a ponte segue se deteriorando.
Falta de ação preocupa usuários e especialistas
Se motoristas, moradores e especialistas apontam riscos, e se o laudo técnico confirma os problemas, a insistência do Governo em minimizar a situação soa irresponsável. É inadmissível que uma estrutura vital para o fluxo econômico e turístico da região e essencial para a segurança de centenas de pessoas diariamente seja tratada com descaso.
A determinação da Justiça, embora tardia, é um alívio para quem teme que a próxima notícia sobre a ponte seja uma tragédia anunciada. Agora, cabe ao Governo cumprir sua obrigação básica: garantir a segurança da população antes que um acidente coloque vidas em risco.






















