A Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) voltou ao centro de uma forte controvérsia após a formalização de um convênio de R$ 7 milhões com o governo estadual — mesmo em meio a investigações e históricos de suspeitas envolvendo contratos da entidade.
O repasse foi articulado pelo ex-secretário da Semadesc, Jaime Elias Verruck, poucos dias antes de deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara Federal. A assinatura do convênio, datada após sua saída oficial da função, levanta dúvidas sobre a condução administrativa e a legalidade dos atos praticados no período de transição.
Gestão sob suspeita
A Fiems, presidida por Sérgio Marcolino Longen, já é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul por contratos que somam cerca de R$ 1,5 milhão com empresas que compartilham o mesmo quadro societário — prática que, em tese, pode indicar direcionamento ou simulação de concorrência.
Apesar da gravidade das suspeitas, a entidade continua recebendo recursos públicos expressivos, sem que haja, até o momento, transparência suficiente sobre critérios de escolha de fornecedores ou mecanismos de controle do uso desses valores.
Outro ponto que agrava o cenário é o fato de Longen permanecer com bens bloqueados desde a Operação Fantoche, deflagrada pela Polícia Federal em 2019. A investigação apura um esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e desvios que podem chegar a R$ 400 milhões no sistema Sesi. Ainda assim, mesmo diante desse histórico, ele segue à frente da federação, sem afastamento ou explicações contundentes à sociedade.
Falta de transparência e controle
O convênio recente prevê que a própria Fiems tenha autonomia para definir fornecedores e a aplicação dos recursos — uma estrutura que, na prática, concentra poder e reduz mecanismos de fiscalização externa.
Especialistas em gestão pública apontam que esse tipo de arranjo, quando combinado com investigações em andamento, deveria acionar alertas máximos de controle, e não facilitar a liberação de novos recursos.
Pressão política cresce
Diante do cenário, deputados estaduais passaram a discutir a abertura de uma CPI para investigar os contratos da entidade. Parlamentares divergem sobre a competência da Assembleia, mas há consenso em um ponto: a necessidade de aprofundar a apuração.
Enquanto isso, cresce a pressão para que órgãos federais também entrem no caso, já que parte dos recursos pode ter origem nacional.
Contradições e desgaste
A permanência de Longen no comando da Fiems, mesmo com histórico de investigações, bloqueio de bens e novos contratos sob suspeita, evidencia uma crise de credibilidade na entidade.
A situação expõe uma contradição evidente: enquanto o discurso institucional defende desenvolvimento econômico e responsabilidade, a prática levanta dúvidas sobre governança, transparência e uso de recursos públicos.
Sem respostas claras e medidas concretas, o episódio reforça a percepção de que estruturas estratégicas podem estar operando com baixa accountability um cenário que exige, cada vez mais, vigilância e cobrança por parte da sociedade.






















