anúncio da governadora Celina Leão de suspender, às pressas e em pleno feriado de Tiradentes (21/04), a portaria que alterava o cálculo da remuneração de professores temporários no Distrito Federal não foi suficiente para conter a insatisfação da categoria. Longe de encerrar o impasse, o gesto foi interpretado como uma reação tardia e forçada diante da repercussão negativa, e não como um compromisso real com a valorização da educação pública.
A tentativa de esfriar a mobilização na véspera do ato fracassou. O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) manteve a paralisação desta quinta-feira (23/04), sinalizando que a crise vai muito além de um erro pontual de gestão.
Um “erro” caro e previsível
O próprio governo admitiu que a mudança, operacionalizada por meio do sistema EducaDF, poderia resultar em redução salarial para parte dos docentes, um cenário grave que levanta dúvidas sobre a condução técnica e política da medida. O sistema, adquirido por cerca de R$ 40 milhões, já nasce sob forte contestação por ter sido implementado sem diálogo efetivo com a categoria e sem adaptação às especificidades da rede pública do DF.
A situação revela mais do que um equívoco administrativo: escancara uma gestão que aposta em soluções tecnológicas de alto custo sem garantir o básico: previsibilidade, segurança jurídica e respeito às regras da carreira docente.
Recuo insuficiente
Apesar da suspensão da portaria e da promessa de criação de uma comissão de negociação, os professores veem o recuo como um movimento defensivo, insuficiente para resolver problemas estruturais que se acumulam há anos.
Entre as principais reivindicações ignoradas ou tratadas de forma superficial pelo governo estão:
- A recomposição da coordenação pedagógica, afetada pelo novo modelo;
- O cumprimento integral da jornada conforme o piso nacional;
- A reestruturação da carreira, com valorização salarial concreta;
- A redução da precarização, evidenciada pelo fato de que temporários já representam cerca de 60% dos docentes em sala de aula.
A leitura predominante entre os educadores é de que o governo atuou apenas para conter o desgaste imediato, sem enfrentar as causas profundas da insatisfação.
Mobilização como resposta
A manutenção da paralisação demonstra que a categoria não se contenta com medidas paliativas. O ato na Praça do Buriti reforça a pressão por mudanças concretas e evidencia que o recuo do governo, embora significativo, não foi capaz de restaurar a confiança perdida.
Mais do que um embate pontual, o episódio expõe um padrão de gestão marcado por decisões unilaterais, falta de diálogo e respostas reativas a crises previsíveis. Para os professores, a lição é clara: sem mobilização, os retrocessos tendem a avançar.





















