Em uma reunião tensa e fechada, realizada nesta terça-feira (14), o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Papy (PSDB), comunicou que os salários dos servidores da Casa Legislativa sofrerão um corte de 7%. A decisão revoltou parte do funcionalismo e acendeu o alerta para o que muitos já classificam como “repasse seletivo” de crise.
Segundo informações obtidas por este portal, o motivo do corte seria a falta de repasse da Prefeitura de Campo Grande, no valor mensal de R$ 600 mil, totalizando um atraso acumulado de aproximadamente R$ 6 milhões. A justificativa foi dada pela secretária municipal de Finanças, Márcia Hokama, que atribuiu a suspensão ao “corte de gastos” da administração municipal.
A explicação, no entanto, não convence. Enquanto os salários dos vereadores e dos secretários municipais seguem intactos — e em valores consideravelmente altos —, quem arca com as consequências mais uma vez são os servidores públicos, que já enfrentam perdas salariais acumuladas e condições de trabalho cada vez mais precárias.
Servidores penalizados, políticos blindados
A medida imposta por Papy gerou revolta interna. Servidores classificam a decisão como covarde e injusta, já que atinge justamente os que menos têm poder de reação. Para completar o cenário de indignação, até o momento nenhum vereador se manifestou publicamente contra o corte ou em defesa dos trabalhadores.
Pior: diante do impasse financeiro e da evidente falta de transparência na gestão dos recursos públicos, nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi sequer cogitada pela Câmara para apurar como, de fato, anda a saúde financeira da Prefeitura.
Por que os vereadores não exigem uma auditoria detalhada nas contas da administração municipal? Por que não fiscalizam os contratos milionários, as licitações duvidosas e os gastos com publicidade? A omissão da Câmara sugere cumplicidade ou, no mínimo, conveniência.
A crise tem lado — e o lado mais fraco sempre paga
Se confirmada a redução nos salários dos servidores, o que se vê é a repetição de um padrão perverso: a conta da má gestão, do descontrole orçamentário e da falta de planejamento sempre cai sobre os ombros de quem trabalha.
Enquanto isso, os altos cargos seguem confortáveis, os privilégios continuam intocados, e a máquina pública permanece refém de interesses políticos.
A população de Campo Grande merece respostas. Mais do que isso: exige respeito. Se há crise, que seja enfrentada com justiça, e não com cortes arbitrários sobre quem menos ganha. A Câmara tem a obrigação de fiscalizar o Executivo e proteger seus servidores — não se curvar ao silêncio e à omissão.






















