A saúde pública de Cuiabá enfrenta mais um episódio de descaso sob a gestão do prefeito Abílio Brunini (PL). Médicos, enfermeiros, técnicos e demais servidores denunciam uma determinação absurda da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que proíbe o uso de enxovais institucionais para repouso durante os plantões nas UPAs e Policlínicas da capital.
O comunicado interno, assinado pelo diretor de Atenção Secundária, Geovane Roberto de Campos Castilho, e pelo secretário adjunto Odair Mendonça da Silva, determina que os profissionais levem de casa seus próprios lençóis, cobertores e travesseiros, além de serem responsáveis pela higienização desses itens após longas jornadas em ambientes de alto risco biológico.
“O risco de levarmos doenças para dentro de casa é enorme”, alertou uma servidora, que pediu anonimato por medo de retaliações. “É desumano. Depois de 12 horas de plantão, ainda temos que nos preocupar em carregar enxoval limpo e trazer de volta o sujo.”
Medida que ignora a dignidade do servidor
A decisão da gestão Abílio Brunini vem sendo considerada cruel e insensível por sindicatos e categorias da saúde. A justificativa da prefeitura é baseada em normas da Anvisa, mas, segundo especialistas, o argumento foi distorcido: a regra proíbe apenas o uso compartilhado de enxoval de pacientes, e não o fornecimento de roupas de cama específicas para os servidores.
A nova determinação, na prática, transfere ao trabalhador a responsabilidade que é exclusivamente da administração pública: garantir condições dignas de descanso, higiene e segurança no trabalho.
“Estamos falando de profissionais que lidam diariamente com pacientes com doenças infectocontagiosas. É inaceitável obrigá-los a levar e lavar roupas de cama contaminadas em casa”, pontuou uma enfermeira da UPA Morada do Ouro.
“Economia” à custa de quem salva vidas
A gestão Abílio, que vem se destacando por uma política de austeridade sem sensibilidade, agora volta seus cortes à linha de frente da saúde. Enquanto faltam insumos, medicamentos e estrutura adequada, a prefeitura parece encontrar mais uma forma de transferir o ônus da crise para os próprios servidores.
“Querem que a gente se vire, como se trabalhar exausto, mal pago e em condições precárias já não fosse suficiente. É revoltante”, desabafou outro trabalhador.
Clima de indignação
Nos corredores das unidades de saúde, o sentimento é de indignação e medo. Muitos profissionais temem punições caso se recusem a cumprir a norma — o documento interno chega a classificar o descumprimento como possível infração ética e administrativa.
A medida escancara o descompasso entre o discurso e a prática da atual administração. Enquanto o prefeito tenta se projetar como gestor moderno e eficiente, sua política de comando mostra o contrário: falta de empatia, desrespeito ao servidor público e descuido com a saúde coletiva.
Crítica contundente
Em vez de cuidar de quem cuida, a Prefeitura de Cuiabá adota posturas que humilham e sobrecarregam os profissionais da saúde. A ordem de levar lençol de casa é simbólica: revela uma administração que lava as mãos diante do próprio dever e que transforma o servidor em bode expiatório de sua incompetência.
Enquanto a gestão Abílio Brunini tenta economizar alguns trocados com lençóis, o que se perde e de forma irreparável é a dignidade de quem salva vidas todos os dias.
























