sinal vermelho

“Sinal vermelho”: feminicídios expõem falhas do governo Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul

publicidade

O Mato Grosso do Sul vive sob alerta máximo. Entre janeiro e outubro de 2025, 31 mulheres foram assassinadas por parceiros ou ex-parceiros um número que já supera os 26 casos registrados no mesmo período de 2024. O aumento de 19,2% coloca o estado entre os líderes nacionais em taxa de feminicídio: 2,4 casos por 100 mil mulheres, atrás apenas de Mato Grosso.

Os dados expõem mais do que uma estatística: revelam um sinal vermelho permanente na política de proteção à mulher e nas falhas estruturais do governo Eduardo Riedel (PP), que apesar de discursos e eventos, não tem conseguido conter a escalada da violência de gênero.

Casos que chocam e escancaram a tragédia

A sequência de crimes em MS é brutal e recorrente.
Na última terça-feira (28), Luana Cristina Ferreira Alves, 29 anos, foi assassinada com 11 facadas mais uma vítima que engrossa uma lista crescente de mulheres mortas dentro de casa, pelos próprios companheiros.

Em maio de 2024, a capital chorou Vanessa Eugênia e a filha Sophie, de apenas 10 meses, mortas em um crime que paralisou Campo Grande. Já em julho de 2025, o Anuário da Segurança Pública contabilizava 17 feminicídios, 64% deles dentro da residência da vítima e a maioria atingindo mulheres negras, jovens e pobres.

O padrão se repete: o lar, que deveria ser abrigo, tornou-se o cenário do horror.

Promessas, anúncios e o abismo entre o discurso e a prática

O governador Eduardo Riedel reconhece publicamente o aumento da violência, mas as respostas do Estado ainda patinam entre retórica e marketing institucional.
Em agosto, o governo promoveu o evento “Por Elas proteção de todos os lados”, e apresentou a assistente virtual “Vitória”, ferramenta de inteligência artificial voltada a orientar mulheres em situação de risco.

Leia Também:  SED vai pagar quase 3 milhões para cobertura de quadra poliesportiva.

A promessa parecia moderna, mas a execução revela outra realidade: a tecnologia não alcança quem mais precisa. No interior do estado, onde as taxas são mais altas, a maioria das cidades sequer possui delegacia especializada, casa-abrigo ou atendimento psicológico.

“Não adianta criar aplicativo se a mulher tem que percorrer 100 km para registrar um boletim de ocorrência”, comenta uma assistente social que atua em Dourados e pediu anonimato.

Estrutura precária e ausência de comando

Mato Grosso do Sul ainda não possui uma Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres fato criticado por especialistas e movimentos sociais.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) protocolou ofício ao governador pedindo a criação imediata de um órgão autônomo e com orçamento próprio, alertando que “as políticas atuais são pulverizadas e sem coordenação”.

Em fevereiro, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o governo estadual anunciaram uma “remodelagem” da rede de proteção. O gesto, embora simbólico, expôs o reconhecimento tácito de que o modelo vigente fracassou.

Falhas que custam vidas

Entre as principais deficiências apontadas por entidades de defesa da mulher e agentes de segurança estão:

  • Desarticulação entre os serviços de proteção a rede não é integrada, e a comunicação entre as instituições é falha.
  • Desigualdade regional cidades do interior, como Água Clara e Coxim, concentram casos sem estrutura adequada.
  • Falta de acolhimento real campanhas e eventos não substituem atendimento psicológico, jurídico e abrigo emergencial.
  • Ausência de monitoramento público dos dados o governo divulga números esparsos, sem transparência por município.
  • Taxa crescente de feminicídios, mesmo após a criação de programas de “inovação” tecnológica.
Leia Também:  Vereadores derrubam aumento do IPTU e da taxa do lixo em Campo Grande

Em resumo: a política de enfrentamento à violência contra a mulher em MS é frágil, desorganizada e insuficiente.

O preço da omissão

Cada número é uma história interrompida. Cada mulher morta é o retrato de um Estado que não protege.
Enquanto o governo Riedel insiste em “modernizar” a gestão com slogans e tecnologia, a rede de proteção permanece sem braços, sem estrutura e, principalmente, sem presença onde as vítimas vivem e morrem.

A omissão do poder público ao não criar uma secretaria específica, não interiorizar os serviços e não fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas transforma o Estado em cúmplice silencioso dessa tragédia.

O que é urgente

Especialistas apontam que sem uma virada estrutural, a curva da violência continuará subindo. As medidas prioritárias incluem:

  1. Criação imediata da Secretaria Estadual da Mulher, com orçamento e autonomia.
  2. Interiorização das casas-abrigo, delegacias e serviços psicológicos.
  3. Fiscalização real das medidas protetivas e monitoramento público dos dados.
  4. Revisão da política de segurança, com foco em prevenção e não apenas em repressão.
  5. Educação e sensibilização comunitária, combatendo a cultura machista desde a infância.

O governo Eduardo Riedel tenta pintar um retrato de avanço, mas os números desmentem o discurso.
Enquanto o Estado anuncia eventos e aplicativos, as mulheres continuam sendo mortas dentro de casa.
Em Mato Grosso do Sul, o “sinal vermelho” não é apenas um alerta: é o reflexo de um sistema público em colapso e de um governo que ainda não entendeu a urgência de salvar vidas femininas.

 

 

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide