Sob pressão de greve, GDF troca comando da UnDF para tentar destravar crise com professores

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Em meio a uma crise institucional marcada por greve e tensão interna, o Governo do Distrito Federal (GDF) promoveu uma mudança no comando da Universidade do Distrito Federal (UnDF) como tentativa de reabrir canais de negociação com a comunidade acadêmica. A governadora em exercício, Celina Leão, oficializou a nomeação da professora Fernanda Marsaro dos Santos como nova reitora da instituição, substituindo Simone Benck. 

A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) na noite de terça-feira (28) e ocorre em resposta direta a uma das principais reivindicações dos docentes, que estão em greve desde 20 de março. O movimento paredista, que conta também com adesão de estudantes, pressiona por mudanças estruturais na universidade, incluindo melhores condições de trabalho, reestruturação da carreira e maior participação democrática na gestão. 

Mudança estratégica para conter crise 

A substituição no comando da UnDF é interpretada como uma tentativa do GDF de reduzir a escalada do conflito e retomar o diálogo com professores e alunos. A própria governadora reconheceu publicamente que a falta de interlocução foi um dos principais fatores que agravaram a crise. 

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Além das questões trabalhistas, a transferência de campus para Ceilândia e a condução de decisões administrativas sem consulta ampla à comunidade acadêmica intensificaram o descontentamento. A nova reitora assume, portanto, o desafio de mediar interesses divergentes e reconstruir a confiança institucional. 

Perfil da nova reitora 

Fernanda Marsaro chega ao cargo com trajetória consolidada na área educacional. Pós-doutora em Educação e servidora de carreira da Secretaria de Educação do DF, ela também atuava como conselheira de Educação e ocupava o cargo de diretora de Regulação e Supervisão de Ensino da rede privada. 

Sua experiência técnica e institucional é vista pelo governo como um ativo importante para conduzir negociações complexas e reorganizar a gestão da universidade em um momento crítico. 

Expectativa de retomada do diálogo 

A recepção da nomeação por parte do Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF) foi cautelosamente positiva. Segundo a vice-presidente da entidade, Kíssila Mendes, há expectativa de que a nova gestão inaugure uma fase de diálogo efetivo e transparência. 

Uma reunião entre representantes do sindicato e a reitoria deve ocorrer nos próximos dias, quando será apresentada uma carta com propostas e reivindicações da categoria. O desfecho desse encontro pode ser decisivo para a continuidade ou suspensão da greve. 

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Caminho para eleição democrática 

A troca no comando também ocorre em um contexto mais amplo de transição institucional. Está previsto ainda para este ano o primeiro processo democrático de escolha da reitoria da UnDF, com consulta à comunidade acadêmica e formação de lista tríplice. 

O edital que regulamenta o processo foi publicado em março e representa um passo importante rumo à autonomia universitária. Atualmente, a instituição conta com mais de 1,6 mil estudantes e busca consolidar sua estrutura administrativa e acadêmica. 

Cenário ainda indefinido 

Apesar da mudança, o cenário segue incerto. A permanência da greve dependerá, em grande medida, da capacidade da nova gestão de apresentar respostas concretas às demandas acumuladas. 

A nomeação de Fernanda Marsaro marca uma inflexão na estratégia do governo, mas o sucesso da medida dependerá da reconstrução do diálogo e da disposição política para negociar com a comunidade acadêmica. 

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