A crescente tensão entre o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e sua base de apoio na Câmara dos Deputados começa a ganhar novos contornos. O requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco de Brasília (BRB), que já conta com 57 assinaturas, agora traz uma surpresa: o apoio de deputados historicamente próximos ao governador, incluindo dois parlamentares do Partido Liberal (PL-DF), Bia Kicis e Alberto Fraga.
A adesão de ambos à proposta de investigação sobre a atuação do BRB, um banco de grande relevância na gestão pública local, é simbólica e sinaliza um distanciamento estratégico dentro do jogo político do DF. A CPI, inicialmente proposta pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), tem se configurado como uma arma política de peso e, agora, ganha novos contornos com o apoio de figuras influentes do PL, que no passado foram aliados do governo Ibaneis.

O Que Está Por Trás da Assinatura dos Deputados do PL?
Bia Kicis e Alberto Fraga, embora historicamente próximos de Ibaneis Rocha, não hesitaram em assinar o requerimento de instalação da CPI. A assinatura de Kicis, que já se lançou como pré-candidata ao Senado, e de Fraga, que tem se alinhado mais a figuras como o ex-governador José Roberto Arruda, reflete uma mudança de postura importante no contexto político local.
O movimento dos dois parlamentares parece marcar o fim da aliança sólida entre o PL e o governo de Ibaneis Rocha, uma ruptura que se tornou mais evidente após uma série de desentendimentos. O episódio mais recente, envolvendo o silêncio de Ibaneis Rocha sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou desconforto nas fileiras do PL, especialmente com o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante, que expressou publicamente seu descontentamento. Cavalcante, em um post nas redes sociais, fez duras críticas à postura do governador, sugerindo que sua atitude poderia prejudicar a relação com os eleitores do PL e com a base bolsonarista.
O Que Está em Jogo para Ibaneis?
Com a aproximação das eleições de 2026, as movimentações políticas no Distrito Federal se intensificam. Ibaneis Rocha, que busca viabilizar sua candidatura ao Senado, enfrenta um ambiente de crescente polarização, especialmente dentro do próprio PL. A base aliada que antes lhe era fiel parece agora fraturada, e o movimento de Kicis e Fraga evidencia a dificuldade do governador em manter uma unidade em torno de sua candidatura.
Enquanto Ibaneis tenta se distanciar de críticas e focar em sua sucessão, apoiando a vice-governadora Celina Leão (PP) para o governo, o apoio de figuras como Kicis e Fraga à CPI do BRB pode sinalizar que o jogo político no DF está longe de estar resolvido. O PL, que há algum tempo estava alinhado com o governo, agora se mostra mais volátil, com seus deputados buscando alternativas próprias para as eleições futuras.
Uma Guerra de Narrativas
A instalação da CPI do BRB promete ser um dos principais palcos para a disputa política no Distrito Federal nos próximos meses. A investigação sobre o banco de Brasília não só pode revelar supostas falhas de gestão pública, como também serve como uma ferramenta estratégica para os políticos que buscam se distanciar do atual governo e conquistar apoio popular. Neste cenário, Ibaneis Rocha se vê em uma encruzilhada: de um lado, precisa consolidar sua candidatura ao Senado, e de outro, deve lidar com uma base cada vez mais fragmentada e com aliados que já demonstram insatisfações públicas.
A tensão política no DF está apenas começando a se intensificar, e as movimentações envolvendo a CPI do BRB podem ser apenas o começo de um cenário de maiores disputas e reconfigurações de alianças. A questão agora é: até onde Ibaneis Rocha conseguirá manter a coesão de sua base política ou se verá, de fato, isolado na reta final para sua candidatura ao Senado?






















