Delação de ex-presidente do BRB ameaça redesenhar disputa eleitoral no DF

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A cinco meses das eleições, o cenário político do Distrito Federal entra em zona de turbulência com a decisão de Paulo Henrique Costa de firmar acordo de delação premiada. Preso preventivamente desde 16 de abril no Complexo da Papuda, o ex-dirigente do Banco de Brasília (BRB) tornou-se peça central da quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo o banco público e o Banco Master. 

Segundo as investigações, Costa é acusado de receber vantagens indevidas, incluindo imóveis de alto padrão, para favorecer operações financeiras com o grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Agora, ao optar pela colaboração com a Justiça, ele promete apresentar provas e detalhar o fluxo de recursos, o que pode atingir diretamente figuras centrais da política local. 

A eventual homologação do acordo dependerá do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, a exigência é clara: não haverá espaço para omissões ou “verdades seletivas”. O ex-presidente do BRB terá que indicar com precisão os beneficiários, os intermediários e os mecanismos utilizados para viabilizar as operações sob suspeita. 

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O impacto político pode ser imediato. Um dos principais focos da apuração envolve o ex-governador Ibaneis Rocha, que atualmente articula candidatura ao Senado. Investigadores buscam esclarecer o nível de participação do então chefe do Executivo nas decisões que favoreceram o Banco Master, especialmente no contexto da tentativa de aquisição de ativos da instituição pelo BRB. A defesa de Ibaneis nega qualquer irregularidade e sustenta que o banco possuía autonomia técnica. 

A atual governadora Celina Leão também aparece no radar político do caso. Embora não seja alvo direto das investigações, seu nome circula em meio às especulações. Publicamente, Celina afirma não ter preocupação com a delação e diz que não mantinha relação próxima com Paulo Henrique Costa. Ainda assim, adversários já exploram o episódio como elemento de desgaste eleitoral. 

No centro da investigação estão operações que somam cerca de R$ 21,9 bilhões, relacionadas à compra de ativos considerados de alto risco pelo BRB junto ao Banco Master. Há suspeitas de que esses negócios tenham sido estruturados sem garantias adequadas, levantando dúvidas sobre possível direcionamento e prejuízos aos cofres públicos. 

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Outro eixo sensível diz respeito à tramitação política que viabilizou essas operações. A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, em ritmo acelerado, projeto de lei autorizando movimentações estratégicas do banco. A votação, que contou com 14 votos favoráveis, foi alvo de críticas da oposição, que alertava para riscos financeiros e falta de transparência no processo. 

Com bens bloqueados e sob pressão judicial, Paulo Henrique Costa aposta na delação como forma de reduzir sua pena e tentar recuperar a liberdade. O conteúdo de suas declarações, no entanto, pode ir muito além de sua própria situação: há expectativa de que as revelações atinjam diretamente o núcleo político do Distrito Federal e influenciem decisivamente o rumo das eleições. 

Nos próximos meses, o avanço das investigações e a eventual divulgação dos detalhes da colaboração devem manter Brasília em estado de atenção máxima, com efeitos que podem ultrapassar o campo jurídico e redesenhar o tabuleiro eleitoral local.

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