“O problema é do GDF”, dispara Dario Durigan ao negar socorro federal ao BRB

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O Governo Federal endureceu o discurso e descartou qualquer tipo de apoio direto ao Banco de Brasília (BRB), aprofundando o impasse institucional com o Governo do Distrito Federal (GDF). Em declarações recentes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a responsabilidade pela crise da instituição financeira é exclusivamente local e não deve ser transferida à União. 

Segundo o ministro, não há justificativa para o uso de recursos federais diante de um cenário que, nas palavras dele, envolve um “rombo mal explicado”. A fala foi dada durante entrevista ao programa Roda Viva e sinaliza uma postura firme da equipe econômica contra qualquer tentativa de socialização de prejuízos do banco público distrital. 

Crise vinculada ao caso Banco Master 

O centro da crise está em operações realizadas entre o BRB e o Banco Master, instituição que entrou em liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, apontam que o BRB teria adquirido uma carteira de créditos de alto risco, classificados como “podres”, estimada em R$ 12,2 bilhões. 

O episódio é tratado por integrantes do governo federal como um dos mais graves do sistema financeiro recente, com impacto total superior a R$ 50 bilhões, parcialmente absorvido por outras instituições via Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 

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Pedido de socorro e negativa técnica 

Diante do agravamento da situação, a governadora do DF, Celina Leão, tentou viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Tesouro Nacional para capitalizar o banco. A proposta inclui a utilização de bens públicos como garantia. 

No entanto, o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional indicaram entraves técnicos relevantes. Entre eles, a ausência de informações detalhadas que permitam avaliar o real tamanho do passivo e os riscos envolvidos na operação. 

A União deixou claro que só admite intervenção em cenários de “risco sistêmico”, quando há ameaça ao conjunto do sistema financeiro nacional, hipótese que, segundo o governo federal, não se aplica ao caso do BRB. 

Alternativas e pressão política 

Como alternativa, Durigan sugeriu que o próprio GDF utilize instrumentos locais, como o Fundo Constitucional do Distrito Federal, para estruturar uma solução sem depender de garantias federais. 

Nos bastidores, a negativa é interpretada também como uma sinalização política: o governo federal busca evitar precedentes que incentivem outros entes federativos a recorrerem à União para cobrir déficits decorrentes de má gestão ou decisões financeiras arriscadas. 

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Incerteza interna no BRB 

O cenário é agravado por instabilidades internas. A suspensão da assembleia que analisaria as contas da gestão de 2025 levantou dúvidas adicionais sobre a transparência e governança da instituição. 

Enquanto isso, o GDF sustenta que a necessidade de capitalização decorre de “eventos adversos relevantes” que impactaram a liquidez do banco. A governadora Celina Leão também afirmou, após reuniões com o Banco Central, que não há previsão de liquidação da instituição. 

Caminho indefinido 

Sem apoio da União e diante de limitações fiscais, o GDF enfrenta agora o desafio de encontrar uma solução própria para o BRB. O caso segue em análise técnica, mas o impasse político e financeiro já se consolidou, e pode ter desdobramentos relevantes tanto para o banco quanto para o debate sobre o uso de recursos públicos em instituições financeiras estaduais. 

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