Dinheiro Público

Três shows, R$ 2,4 milhões: gasto da Prefeitura de Três Lagoas gera questionamentos

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A Prefeitura de Três Lagoas autorizou o pagamento de R$ 2,385 milhões para a contratação de três shows nacionais que irão compor a programação da Expo Três 2026. Os dados constam em processo de inexigibilidade de licitação publicado no Diário Oficial dos Municípios.

Entre as atrações confirmadas estão o DJ Alok, com cachê de R$ 980 mil, a dupla Zé Neto & Cristiano, por R$ 855 mil, e o cantor Alexandre Pires, contratado por R$ 550 mil.

A contratação foi formalizada por meio de inexigibilidade de licitação  mecanismo legal utilizado quando há inviabilidade de competição, como no caso de artistas consagrados representados por empresários exclusivos. Ainda assim, o volume de recursos públicos destinados ao evento levanta questionamentos sobre prioridades administrativas.

Gastos elevados em meio a demandas essenciais

Embora eventos culturais e festivos tenham potencial de movimentar a economia local e atrair turistas, o montante milionário chama atenção diante de demandas recorrentes da população, especialmente em áreas como saúde, educação e infraestrutura urbana.

O valor de quase R$ 2,4 milhões concentrado em apenas três apresentações reforça críticas sobre a gestão dos recursos públicos, principalmente pela ausência de transparência mais detalhada sobre o retorno financeiro esperado para o município.

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Falta de debate público

Outro ponto sensível é a ausência de debate público prévio sobre os investimentos. A decisão de destinar cifras elevadas para entretenimento, sem ampla discussão com a sociedade ou apresentação de estudos de impacto econômico, pode indicar um distanciamento entre o planejamento da gestão e as prioridades da população.

Além disso, a assinatura do processo pelo secretário municipal de Turismo e Cultura, Stênio Congro Neto, concentra a responsabilidade política sobre a decisão, que tende a ser alvo de fiscalização por órgãos de controle e também de questionamentos por parte de vereadores e da sociedade civil.

Cultura ou gasto excessivo?

A realização de grandes eventos é frequentemente defendida por gestores como estratégia de fomento ao turismo e geração de renda. No entanto, especialistas em gestão pública apontam que esse tipo de investimento precisa ser acompanhado de planejamento, metas claras e transparência, para evitar a percepção de desperdício.

Sem esses elementos, iniciativas como a Expo Três podem acabar sendo vistas mais como vitrine política do que como política pública estruturada.

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Diante disso, o caso reacende o debate: até que ponto o investimento em grandes shows justifica o uso de recursos públicos em um cenário de múltiplas necessidades sociais?

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