Em apenas 50 dias, Mato Grosso registrou quatro feminicídios dois em janeiro e dois em fevereiro de 2026 (até o dia 20, quando os dados foram levantados). O início do ano é marcado por números que evidenciam a gravidade da violência contra mulheres no Estado: sete filhos ficaram órfãos nesse período.
Os casos ocorreram em diferentes dias e horários, sem um padrão definido. Dois crimes foram registrados no período da manhã, um à tarde e outro à noite. Dois aconteceram no domingo, um na segunda-feira e um na terça-feira. A distribuição reforça o desafio enfrentado pelas forças de segurança e pelos órgãos de proteção, já que a violência não se restringe a horários ou contextos específicos.
Medidas protetivas em alta
No mesmo intervalo de 50 dias, foram concedidas 2.356 medidas protetivas no Estado. Em 2025, o total de concessões chegou a 18.223. Apesar do crescimento na busca por amparo judicial, os números revelam um contraste preocupante: das quatro vítimas de feminicídio neste início de ano, apenas uma possuía medida protetiva vigente, e somente duas haviam registrado boletim de ocorrência.
Os dados indicam que, embora haja maior procura por proteção institucional, ainda persistem lacunas na prevenção e na efetividade das medidas adotadas.
Casos recentes
O primeiro feminicídio de 2026 foi o de Laila Carolina Souza da Conceição, 29 anos. Ela foi encontrada morta na manhã de domingo (11 de janeiro), dentro da própria residência, no município de Nova Maringá, a 379 quilômetros de Cuiabá.
Vizinhos acionaram a Polícia Militar após ouvirem uma discussão. Um dos filhos da vítima pedia socorro quando a guarnição chegou ao local. O suspeito foi localizado correndo com uma faca na mão, confessou o crime e foi encaminhado à delegacia.
O caso mais recente ocorreu na Capital. A professora Lucieni Naves Correia, 51 anos, foi morta a tiros na manhã de segunda-feira (16 de fevereiro), dentro de casa, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. O ex-marido, Paulo Neves Bispo, 61 anos, apontado como autor, morreu após ser baleado durante a fuga.
Uma das filhas do casal, grávida de nove meses, conseguiu se trancar em um dos quartos. Há indícios de que o suspeito pretendia atacar a segunda filha.
Desafio estrutural
O cenário expõe um ponto central: a concessão de medida protetiva, por si só, não garante proteção integral. O aumento das decisões concessivas demonstra que mulheres estão denunciando e buscando apoio institucional. Contudo, os feminicídios registrados nos primeiros meses do ano evidenciam a necessidade de aprimorar mecanismos de fiscalização, acompanhamento e resposta rápida aos casos de violência doméstica.
Especialistas apontam que o enfrentamento ao feminicídio exige integração entre Judiciário, forças de segurança, assistência social e políticas públicas permanentes de prevenção, além do fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas e aos órfãos da violência.
























