Uma delação premiada homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com depoimentos de executivos e colaboradores ligados à empresa Aegea, aponta o pagamento de propinas a agentes públicos em pelo menos seis estados e 20 municípios, incluindo Mato Grosso do Sul.
Reportagem do portal UOL revela que os repasses teriam ocorrido entre 2010 e 2018 e somariam ao menos R$ 63 milhões, supostamente destinados a garantir a expansão da companhia e a obtenção ou manutenção de concessões de água e esgoto.
Segundo os depoimentos, em Campo Grande, o ex-presidente da Aegea afirmou ter sofrido pressão de João Amorim, que teria atuado em nome do então prefeito Nelsinho Trad. A delação sustenta que foi acertado o pagamento de R$ 30 milhões para formação de caixa eleitoral destinado à sucessão municipal de 2012 e, posteriormente, à disputa pelo Governo do Estado em 2014.
O ex-consultor Carlos Antonio Bernert declarou aos procuradores que elaborou oito contratos fictícios entre 2011 e 2015, totalizando R$ 30 milhões, simulando locação de equipamentos junto às empresas Proteco e ASE, ambas ligadas a Amorim. Conforme o relato, pela emissão das notas fiscais, Amorim ficaria com 25% dos valores.
Outro depoimento atribuído ao ex-presidente da companhia afirma que foram autorizados R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha do então vice-prefeito Gilmar Olarte. Em operação distinta, teriam sido liberados R$ 4 milhões, em 2015, para uma “caixinha” de campanha do ex-prefeito Alcides Bernal.
O delator também descreveu a entrega de dinheiro em espécie: teria repassado a Bernal a chave de um Fiat Uno onde estariam pacotes de dinheiro, deixados em uma casa na Avenida Calógeras, região central de Campo Grande.
Ainda conforme a colaboração, houve um suposto acerto com o então governador Reinaldo Azambuja para pagamento de R$ 2 milhões destinados a dívidas de campanha. O depoimento menciona a data do encontro 13 de junho de 2015 — além de detalhes como prefixo da aeronave utilizada e endereço do local da reunião. Os pagamentos, segundo a delação, teriam sido viabilizados por meio de notas fiscais fraudulentas emitidas por empresas de engenharia e construção relativas a serviços não prestados.
Outro lado
Procurado pelo UOL, o senador Nelsinho Trad afirmou desconhecer o conteúdo da colaboração e declarou que não é investigado no STJ nem há procedimento da Procuradoria-Geral da República envolvendo seu nome em relação às acusações.
Alcides Bernal disse que os dirigentes da Aegea eram seus adversários políticos e negou ter recebido qualquer valor. “Nunca recebi um centavo desse povo”, afirmou.
Reinaldo Azambuja também negou as acusações, dizendo que jamais pediu ou recebeu R$ 2 milhões e que não se recorda de reunião sobre dívidas de campanha em 2015. “Nunca fiz tratativa nenhuma sobre isso, nem com ele nem com ninguém”, declarou.
As denúncias citadas na delação ainda dependem de apuração e eventual confirmação pelas autoridades competentes.






















