MATO GROSSO

TJ autoriza investigação contra prefeita de Várzea Grande por suspeitas no DAE

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, que está na mira do Naco

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), passou a ser investigada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), por suspeitas de irregularidades administrativas envolvendo o Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG).

A abertura do inquérito policial foi autorizada pelo desembargador Orlando Perri, da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), no último dia 29 de abril. O Naco é responsável por apurar casos envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função.

De acordo com o pedido, há indícios de possível prática de crimes como peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas públicos.

Auditoria apontou inconsistências

A investigação teve origem em uma notícia-crime apresentada por um perito contratado pela autarquia em agosto do ano passado. Durante auditoria técnica, ele relatou ter identificado uma série de inconsistências, como divergências entre backups de sistemas, falhas nos dados de faturamento e fragilidades estruturais na plataforma utilizada pelo DAE.

Também foram apontados registros considerados anômalos de corte e religação de água, em volume elevado e fora do padrão operacional. Segundo o perito, há indícios da existência de “religações fantasmas”, prática que poderia estar ligada ao pagamento indevido de produtividade a servidores, com possível desvio de recursos públicos.

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Além disso, o relatório menciona a existência de áudios com referências a supostos esquemas internos de corrupção, pagamentos irregulares envolvendo empreiteiras, inconsistências no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e possível acesso indevido a informações sigilosas.

Citações à prefeita e denúncias de intimidação

Ainda conforme a decisão judicial, há registros sonoros que indicariam que a prefeita teria conhecimento das supostas irregularidades e de apurações em andamento.

O documento também relata denúncias de ameaças e condutas intimidatórias atribuídas a integrantes do DAE, incluindo menções à resolução de conflitos por meios violentos.

O perito afirma ter sofrido retaliações após apontar as inconsistências. Segundo ele, servidores suspeitos teriam sido promovidos, enquanto ele e outros colaboradores foram exonerados. Há ainda relato de resistência institucional à formalização da denúncia, incluindo recusa de recebimento pela Controladoria Interna e registro de boletim de ocorrência contra o denunciante.

Possível desestruturação administrativa

O caso também envolve alegações de desorganização interna no DAE, como a exoneração de mais de 30 colaboradores terceirizados sem planejamento, desmonte do setor de Tecnologia da Informação e descontinuidade de sistemas previamente auditados — fatores que, segundo o relatório, podem ter dificultado o rastreamento de provas digitais.

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Defesa

Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que a investigação “não representa qualquer conclusão ou juízo de culpa” e reforçou o compromisso com a legalidade e a transparência.

“O Município permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”, diz o posicionamento.

As investigações seguem sob responsabilidade do Ministério Público Estadual.

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