O TCE contestou a nota emitida pela prefeita, por meio da assessoria na terça-feira, de que “cumpre rigorosamente o Termo de Ajustamento de Gestão” e de que há “total transparência nas informações e processos do município”.

Conforme fonte da corte fiscal, a auditoria nos gastos milionários com pessoal, que inclui pagamento de supersalários sem descontar o Imposto de Renda de 27,5% e recolher a taxa de 14% do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande), ainda não foi concluída. A expectativa é de que as irregularidades vão levar a aplicação de sanção contra a prefeita e a secretária municipal de Finanças, Márcia Helena Hokama.

Até aliado questiona “folha secreta” na Justiça

A outra frente é uma ação popular na Justiça protocolada pelos vereadores André Luís Soares Fonseca, o Professor André Luís (PRD), Luiza Ribeiro (PT) e até de um aliado de Adriane, o seu líder no legislativo, Marcos Tabosa (PP). O primeiro não disputou a reeleição, enquanto a petista foi reeleita e o líder sindicalista aliado da prefeita perdeu o pleito.

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No entanto, a Justiça negou liminar para obrigar a prefeita a abrir a caixa preta da folha secreta, que já consumiu R$ 386 milhões. A decisão revoltou o Professor André Luís. Isso porque ele tentou exigir informações por meio da Câmara Municipal, mas a base aliada de Adriane impediu a aprovação do requerimento.

Na Justiça, ele acabou sendo acusado de ir contra o desenvolvimento da Capital. Campo Grande vive a tese do subdesenvolvimento, no qual os detentores do poder não são obrigados a prestar contas de cada centavo gasto com o dinheiro público.

Sem outra opção, André Luís e Luiza Ribeiro foram à Receita Federal do Brasil para denunciar a sonegação fiscal da prefeitura ao não recolher o IR sobre os altos salários. A medida prejudica a Capital, porque parte do valor arrecadado é devolvido aos municípios pelo Governo federal. E o dinheiro acabou nas mãos de uma pequena parcela de “abençoados” com supersalários.

Tabosa, que virou aliado de Adriane, também é autor de ação para acabar com os segredos cabeludos da “folha secreta” (Foto: Divulgação)

Conforme levantamento do IFC (Instituto de Fiscalização e Controle), os supersalários giram entre R$ 44 mil e R$ 300 mil. Alguns não pagam nenhum centavo de tributo federal nem previdência municipal, enquanto outros pagam apenas parte do valor previsto em lei.

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Por outro lado, os servidores municipais não tiveram reajuste nos últimos dois anos, 2023 e 2024. Adriane também é acusada de não cumprir decisões judiciais que determinam o pagamento de insalubridade, periculosidade, quinquênios, entre outras gratificações aos servidores públicos municipais.

O vereador Alírio Villasanti (União Brasil) também criticou o pagamento de supersalários por Adriane sem descontar IR e previdência. “Vejo as denúncias com extrema gravidade e que devem ser investigadas com urgência. Dinheiro público deve ser usado com transparência e dentro da legalidade. Pagar salários tão altos é um absurdo e uma imoralidade, enquanto temos mais de 3 mil servidores ganhando menos de um salário mínimo, como é o caso das merendeiras”, lamentou o Coronel Alírio, como é conhecido.

Em nota, enviada ao O Jacaré, a prefeita, por meio da assessoria, negou as irregularidades.

“A Prefeitura Municipal de Campo Grande cumpre rigorosamente o Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), firmado junto ao Tribunal de Contas. Inclusive, a Prefeitura de Campo Grande passou a adotar o modelo de transparência do próprio TCE, que é o órgão fiscalizador dos municípios, garantindo assim total transparência nas informações e processos do Município”, informou.