Ação civil pública

MPE denuncia ex-prefeito, empresário e Health Brasil pelo desvio de R$ 1,1 milhão em Naviraí

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O Ministério Público Estadual propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Naviraí, Leandro Peres de Matos, o Leo Matos (PSD), o milionário Rodolfo Pinheiro Holsback, a empresa Health Brasil Inteligência em Saúde e mais sete pessoas. Eles são acusados de fraudar licitação para favorecer o grupo e causar prejuízo de R$ 1,174 milhão à Prefeitura Municipal de Naviraí.

A ação proposta pela promotora de Justiça Fernanda Proença de Azambuja Barbosa no dia 8 deste mês. É mais uma denúncia por desvios na saúde contra a Health Brasil, favorita para ganhar o contrato de R$ 1,2 bilhão da gestão de Adriane Lopes (PP), prefeita de Campo Grande, para construir o Hospital Municipal.

A denúncia foi protocolada antes do Tribunal de Justiça julgar o mérito de mandado de segurança da empresa para suspender a investigação pelo desvio milionário em Naviraí. O TJMS já mandou trancar a investigação realizada pelo Ministério Público Estadual em Coxim.

Esta é a 6ª denúncia contra a Health Brasil por desvios na saúde. A empresa já é ré por improbidade e por corrupção pelo desvio de R$ 46 milhões da saúde estadual. A outra denúncia é pelo desvio de R$ 2,028 milhões do SAMU de Campo Grande. Ainda há denúncia pelo desvio em Sidrolândia e outra com base na Lei Anticorrupção pelo desvio de R$ 36 milhões no contrato com a Secretaria Estadual de Saúde.

Escândalo

Em Naviraí, conforme a ação por improbidade, a empresa elaborou os termos da licitação e simulou pesquisa de mercado para fraudar o certame realizado pela prefeitura de Naviraí. “Eles agiram dolosamente e em conluio com a finalidade de direcionar o processo licitatório em benefício da empresa HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA, tendo ocasionado dano efetivo aos cofres públicos municipais e o enriquecimento ilícito do ex-Prefeito”, denunciou Fernanda Barbosa.

“Já os particulares requeridos RODOLFO PINHEIRO HOLSBACK e (ESPÓLIO DE) ROBERTO DE BARROS LAVARDA, ambos sócios à época da empresa HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA; UGO VALÉRIO BRENA BRACHINI e ANDRÉ LUIZ PIRES RAMOS, então funcionários da empresa HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA; NILSON ROCHA DE MORAES JÚNIOR, então proprietário da empresa SUPORTE IMAGEM COMÉRCIO E SERVIÇOS DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS LTDA; JOSIANE DOS SANTOS PEREIRA, funcionária à época da empresa SUPORTE IMAGEM COMÉRCIO E SERVIÇOS DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS LTDA; e ROGÉRIO PIRES DOS SANTOS, proprietário da empresa ARRP EQUIPAMENTOS MÉDICO-HOSPITALARES LTDA-ME, estão sujeitos às disposições e punições da Lei de Improbidade porque induziram e concorreram ativamente para fraudar a pesquisa de preços que maculou o processo licitatório inquinado, resultando no seu direcionamento em benefício da vencedora HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA”, pontuou.

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“A pessoa jurídica HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA, atualmente denominada HEALTH BRASIL INTELIGÊNCIA EM SAÚDE LTDA, também deve ser responsabilizada sob a égide da Lei de Improbidade, posto que restou demonstrado que a empresa, mediante auxílio dos demais requeridos (agentes públicos e particulares) e visando ser a vencedora do certame maculado, praticou efetivamente atos ímprobos fraudulentos em procedimento licitatório deflagrado pelo Município de Naviraí, frustrando o caráter competitivo do certame e ocasionando prejuízos ao erário público municipal, em flagrante desrespeito aos princípios regentes da Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade e impessoalidade”, apontou.

“Imbuídos de tal missão, UGO VALÉRIO BRENA BRACHINI e ANDRÉ LUIZ PIRES RAMOS, cientes da reprovabilidade e ilicitude de suas condutas, agindo a mando dos requeridos RODOLFO PINHEIRO HOLSBACK e ROBERTO DE BARROS LAVARDA e com a anuência de ADELVINO FRANCISCO DE FREITAS e LEANDRO PERES DE MATOS, criaram um termo de referência relativo à proposta de prestação de serviços de tecnologia da informação aplicada à área da saúde, denominado ‘Projeto Naviraí’”, acusou.

“Cumpre pontuar que o e-mail enviado pela Gerência de Saúde destinado à empresa ARRP EQUIPAMENTOS MÉDICO-HOSPITALARES LTDA-ME utilizou contato eletrônico equivocado, qual seja, , quando o endereço correto era , conforme demonstram as imagens acima, o que evidencia que a referida empresa não foi efetivamente acionada pela Prefeitura de Naviraí, mas apenas e tão somente pela empresa HBR”, revelou a promotora.

“Com o recebimento dos preços fraudados apresentados pelas empresas SUPORTE, ARRP e HBR (f. 220/ 223 e 225), previamente ajustados em conluio, foi concluída a suposta pesquisa de preços pela Gerência de Saúde de Naviraí e apurado o falso preço médio (f. 228), o que, na prática, representou apenas e tão somente os interesses econômicos da empresa HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA, a qual foi posteriormente adjudicada vencedora do procedimento licitatório de pregão presencial nº 125/ 2013”, apontou.

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“Publicado o edital, diversas empresas realizaram a retirada do documento, consoante comprovantes de f. 294-304 do IC. No entanto, quando da realização da primeira sessão pública do pregão presencial, em 23 de outubro de 2013 (cfe. ata às f. 383-384 do IC), apenas a empresa HBR MEDICAL EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA credenciou-se, favorecida pelo fato de que o objeto da licitação havia sido fraudulentamente ajustado para frustrar o caráter competitivo do certame, visto que o edital continha a descrição, em lote único, de objetos contratuais distintos, quais sejam, a locação de ‘softwares’, de ‘hardwares’, de equipamentos de suporte (no-break) e a locação de equipamentos de imagem”, ponderou a promotora.

“Assim agindo, os requeridos dolosamente frustraram a licitude e o caráter competitivo de processo licitatório e ocasionaram efetivo prejuízo ao erário municipal, na quantia original de R$ 768.362,44 (…), tal como demonstrado pelo Relatório nº 009/ 2023/ GECOC (f. 1856-1865 do IC), montante que, em valores atualizados até 01/ 11/ 2024, corresponde a R$1.174.299,57”, concluiu.

O total pago pela prefeitura a Health Brasil foi de R$ 1,554 milhão entre janeiro de 2014 e março de 2026. O contrato acabou sendo prorrogado por Leo Matos por meio de aditivo e sem realizar nova licitação.

O MPE pede a condenação de Leo Matos, dos ex-gerentes municipais de Finanças, Adelvino Francisco de Freitas, e de Saúde, Maria Cristina Tezolini Gradilei, os empresários Nilson Rocha de Moraes Júnior e Rogério Pires dos Santos, funcionários municipais e das empresas envolvidas no escândalo.

O juiz Eduardo Magrinelli Júnior, da 1ª Vara Cível de Naviraí, em despacho publicado na terça-feira (12), determinou a notificação dos acusados para apresentar a contestação em 30 dias. Somente após esse prazo, ele analisará o recebimento da denúncia.

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