O Ministério Público Eleitoral manifestou-se contra a absolvição da prefeita Adriane Lopes (PP) e sua vice, Camilla Nascimento (Avante), em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que investiga indícios de compra de votos nas eleições municipais do ano passado. O procurador concluiu que as evidências apontam para a captação ilícita de sufrágio, solicitando ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul a cassação dos mandatos e a inelegibilidade das duas por oito anos, além de multa.
A ação foi movida pelo PDT e pelo PSDC em dezembro, que alegaram abuso de poder político, econômico e religioso por parte da chapa Progressista. Em janeiro, o juiz eleitoral Ariovaldo Nantes Corrêa absolveu as acusadas, mas os partidos recorreram, apresentando provas que, segundo eles, demonstram a compra de votos.
O procurador, em seu parecer, argumentou que Adriane Lopes tinha conhecimento das práticas ilícitas realizadas por membros de sua campanha, citando depoimentos de testemunhas que afirmaram que a prefeita estaria ciente das promessas de pagamento em troca de votos. Um vídeo anexado ao processo mostra diálogos que confirmam a compra de votos, com cabos eleitorais discutindo a retenção de documentos e promessas de pagamento.
Diante da urgência da situação, espera-se que o TRE-MS julgue o recurso ainda em abril, conforme a legislação eleitoral que determina um prazo de 60 dias para a conclusão da AIJE.
Vídeos e áudios
Num vídeo anexado aos autos, é possível ouvir claramente reclamações sobre a retenção de documentos e títulos de eleitores por dois cabos eleitorais da prefeita, um sendo identificado por “Kalica”/“Gonçalves” (“o que é calvo”, segundo Edivania Souza do Nascimento, sua prima) e “André”.
No vídeo existem menções diretas à compra de votos que ali aconteceu, tais como “Eu não voto! Se eu não receber, eu não vou votar”, ao que é respondido por “André”: “Mas eu estou falando que você vai receber. É amanhã…”.
O diálogo segue da seguinte forma, pela interlocutora: “Não! Não falou que ia pagar primeiro? Amanhã, quando ela ganhar, ela nem vai olhar na nossa cara. Se liga! Conheço. Nem a pau, Juvenal!”.
Veja o parecer na íntegra.
























