A gestão do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), atravessa um período de forte desgaste político diante da sucessão de polêmicas, denúncias e questionamentos que vêm atingindo a administração municipal. Enquanto a população reclama de problemas na saúde, infraestrutura e serviços públicos, a Prefeitura tem se visto obrigada a responder a acusações que colocam em xeque o discurso de renovação e combate à corrupção que marcou a campanha eleitoral do atual gestor.
Nos últimos meses, diferentes episódios aumentaram a pressão sobre o prefeito. Entre eles está a denúncia de assédio sexual registrada por uma ex-servidora contra o então secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos. O caso ganhou repercussão após o pedido de exoneração do secretário. Na ocasião, a Prefeitura informou que não tinha conhecimento formal dos fatos e que não havia recebido denúncia oficial sobre o caso.
Outro tema que gerou críticas foi a mudança de postura do prefeito em relação ao governo federal. Após declarações anteriores descartando a busca por ajuda da União, a administração passou a buscar recursos junto ao Governo Federal para enfrentar dificuldades financeiras enfrentadas pelo município. A situação culminou na discussão sobre a possibilidade de um novo decreto de calamidade financeira, alimentando questionamentos sobre o planejamento econômico da gestão.
Também provocou repercussão a denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso envolvendo a contratação de serviços ligados a um apoiador político do prefeito. Reportagens apontaram suspeitas de favorecimento em contrato destinado ao resgate de animais em Cuiabá. O caso ainda depende de apuração pelos órgãos competentes.
Na área administrativa, outra decisão controversa foi a nomeação do ex-agente da Polícia Federal Newton Hidenori Ishii, conhecido nacionalmente como “Japonês da Federal”, para cargo comissionado na Prefeitura. A escolha gerou críticas devido à condenação que ele sofreu por facilitação de contrabando, apesar de posteriormente ter obtido aposentadoria da Polícia Federal.
A administração municipal também enfrenta questionamentos na área da educação. O Tribunal de Contas do Estado determinou auditoria para apurar denúncia de suposta retenção de recursos destinados à Secretaria Municipal de Educação, em valores que ultrapassariam R$ 100 milhões, segundo acusações feitas pelo ex-secretário Amauri Monge. O caso segue sob análise dos órgãos de controle.
Diante da sequência de crises, adversários políticos e parte da população afirmam que o prefeito tem adotado uma estratégia recorrente de atribuir os problemas encontrados às administrações anteriores. Críticos argumentam que, passados meses de governo, a população espera soluções concretas para áreas consideradas prioritárias, especialmente saúde, infraestrutura urbana e equilíbrio financeiro das contas públicas.
Para opositores, a repetição de justificativas baseadas na herança administrativa já não convence parte dos cidadãos que convivem diariamente com filas na saúde, ruas deterioradas e dificuldades na prestação de serviços essenciais. A avaliação é de que o discurso político passou a ocupar mais espaço do que a apresentação de resultados efetivos.
Enquanto denúncias, auditorias e investigações seguem seus trâmites legais, cresce a pressão para que a gestão municipal apresente respostas objetivas e resultados práticos. O desafio de Abilio Brunini será demonstrar que sua administração consegue superar as controvérsias e entregar as mudanças prometidas durante a campanha eleitoral.
Até que isso aconteça, o prefeito continuará enfrentando cobranças cada vez mais intensas de uma população que espera menos explicações e mais soluções.






















