Nova contratação reforça debate sobre prioridades do Governo de Mato Grosso enquanto áreas como Saúde, Segurança Pública e infraestrutura seguem cobrando mais investimentos.
A homologação de um contrato de R$ 9,2 milhões para a compra de 1.330 metros quadrados de painéis de LED destinados à cenografia da chamada Árvore da Vida, no Parque Novo Mato Grosso, voltou a colocar a obra no centro das discussões sobre a destinação dos recursos públicos no Estado.
A MT Participações e Projetos S.A. (MT-Par) oficializou a contratação da empresa chinesa Shenzhen Yishi Optoelectronics Co., Ltd., responsável pelo fornecimento dos equipamentos. O valor global da aquisição é de US$ 1.788.660, equivalente a R$ 9.201.224,77, conforme o processo licitatório publicado no Diário Oficial do Estado.
Embora o contrato represente apenas uma fração do investimento total previsto para o empreendimento — estimado em cerca de R$ 1 bilhão —, ele reacende um debate que ultrapassa o custo dos painéis de LED e passa a questionar as prioridades da administração estadual.
Enquanto milhões de reais são destinados à cenografia de um parque de lazer, parte da população continua enfrentando dificuldades para conseguir atendimento médico, acesso a exames especializados, medicamentos e serviços essenciais. A segurança pública também permanece como uma das principais preocupações dos mato-grossenses, diante dos elevados índices de violência registrados no Estado.
A discussão ganhou ainda mais força após declarações do senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, que afirmou que pretende interromper as obras caso seja eleito, defendendo que os recursos públicos deveriam priorizar áreas consideradas essenciais, como saúde e segurança.
A manifestação provocou reação imediata do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que saíram em defesa do empreendimento, considerado uma das principais vitrines da atual gestão.
Outros nomes da política estadual também passaram a cobrar maior transparência sobre os investimentos.
O senador Jayme Campos (União Brasil) afirmou que, caso chegue ao Governo, pretende concluir o parque, mas realizar uma auditoria completa sobre os valores aplicados e sobre a futura exploração econômica do espaço, defendendo que o patrimônio seja destinado ao uso gratuito da população e não se transforme em instrumento de lucro para terceiros.
Já a deputada estadual Janaina Riva (MDB) também defendeu a conclusão da obra, argumentando que o elevado volume de recursos já investidos inviabiliza sua paralisação. No entanto, ressaltou que todos os contratos devem ser auditados, desde a doação da área até a aplicação de cada recurso público.
Quem também entrou na discussão foi o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), que utilizou as redes sociais para comparar o Parque Novo Mato Grosso às obras inacabadas do antigo VLT, posteriormente substituído pelo BRT.
Segundo ele, o Governo demonstra indignação diante da possibilidade de paralisar o parque, mas permitiu que um importante sistema de transporte coletivo permanecesse sem conclusão durante anos.
Emanuel defendeu que o parque seja finalizado para evitar desperdício ainda maior de dinheiro público, mas afirmou que uma eventual gestão sob seu comando realizaria uma ampla auditoria para verificar os custos da obra e responsabilizar eventuais irregularidades.
A nova contratação dos painéis de LED também chama atenção pelo objeto da licitação. Em um momento em que hospitais, escolas e diversas obras estruturantes ainda enfrentam demandas por investimentos, o Estado autoriza uma despesa milionária para equipamentos cenográficos destinados a um único atrativo do parque.
A controvérsia evidencia um debate recorrente na administração pública: a legalidade de uma despesa não elimina o dever de discutir sua oportunidade, necessidade e prioridade diante das demandas coletivas.
Com a aproximação das eleições estaduais, o Parque Novo Mato Grosso tende a ocupar posição central no debate político. Para apoiadores da obra, trata-se de um investimento capaz de impulsionar o turismo e criar um novo espaço de lazer para a população. Já os críticos questionam se um empreendimento dessa magnitude deveria receber tamanhos aportes financeiros enquanto áreas essenciais continuam convivendo com limitações orçamentárias e carências históricas.
A contratação dos painéis de LED, por si só, dificilmente encerrará essa discussão. Ao contrário, tende a ampliar o escrutínio sobre cada novo contrato relacionado ao empreendimento, reforçando a cobrança por transparência, fiscalização e prestação de contas sobre um dos maiores investimentos públicos já realizados pelo Governo de Mato Grosso.






















