A cidade de Várzea Grande (MT) aparece em uma planilha estratégica apreendida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação Gutenberg, investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de livros paradidáticos e que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, pode ter ultrapassado as fronteiras do Estado.
Batizada de “AVANTE – PLANILHA.xlsx”, a documentação foi localizada após a quebra do sigilo telemático de Felipe Paroschi Jafar, apontado pela investigação como um dos líderes ocultos da organização criminosa. O arquivo reúne cidades onde a Editora Avante (Souza & Fanaia) já teria contratos, negociações em andamento ou estratégias de expansão.
Além de diversos municípios da Bahia, Pará e Pernambuco, a investigação identificou referências ao estado de Mato Grosso, incluindo Várzea Grande, que aparece entre os locais monitorados pelo grupo.
Conexão com Mato Grosso
Segundo os autos da investigação, Mato Grosso fazia parte da estratégia de expansão da organização. Capturas de tela de conversas via WhatsApp mostram tratativas relacionadas a Várzea Grande e fazem referência ao secretário municipal de Educação de Nobres, Sílvio Fidelis, citado em diálogos internos da organização.
A presença do município na planilha, entretanto, não significa que tenha ocorrido contratação irregular ou prática ilícita por parte da administração municipal, mas indica que a cidade figurava entre os alvos ou locais de interesse comercial da organização investigada.
Esquema teria alcançado outros estados
De acordo com o Gaeco, a organização utilizava um modelo padronizado para obter contratos milionários por meio da inexigibilidade de licitação. A investigação aponta que o grupo alegava falsamente exclusividade sobre obras literárias, utilizava empresas de fachada e distribuía vantagens indevidas para facilitar a contratação dos livros.
A planilha apreendida cita municípios da Bahia, como Barreiras, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Salvador, Juazeiro, Coribe, São Félix do Coribe e Camaçari; cidades do Pará, como Capanema, Capitão Poço e Salinópolis; além de uma possível negociação em âmbito estadual em Pernambuco.
Operação Gutenberg
Deflagrada pelo Gaeco, a Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa especializada em fraudar contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos.
Segundo o Ministério Público, somente em Mato Grosso do Sul o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 27,5 milhões em contratos com prefeituras. As investigações também apontam a existência de pagamento de propinas, utilização de empresas de fachada, saques milionários em espécie e até suposta pressão sobre gestores municipais mediante o controle da regulação estadual de saúde.
O caso segue em investigação e tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em razão da existência de investigados com foro por prerrogativa de função.
Até o momento, não há acusação formal de irregularidade contra o município de Várzea Grande pelo simples fato de constar na planilha apreendida, e a investigação prossegue para esclarecer o alcance das tratativas identificadas pelos investigadores.























