Caos na saúde

O CAOS na saúde de Campo Grande tem nome, sobrenome, CPF e não atende o SUS

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Campo Grande vive um colapso histórico na saúde pública, com superlotação, falta de medicamentos, descontrole financeiro e investigações policiais em curso. Nos corredores das UPAs, o drama humano é cotidiano: pacientes esperando dias por um leito, famílias sem acesso a medicamentos básicos e profissionais sobrecarregados, sem condições de trabalho.

À frente desse cenário está Rosana Leite de Melo, atual Secretária Municipal de Saúde, que se tornou símbolo de uma gestão marcada por improviso, ineficiência e escândalos.

📌 Superlotação sem precedentes

Em números, o quadro é devastador. Entre 80 e 100 pacientes aguardam diariamente por um leito nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O déficit estimado é de 500 a 1.000 vagas, o que equivaleria à construção de dois hospitais municipais inteiros para suprir a demanda reprimida.

Mesmo com o problema exposto em audiências e relatórios, a resposta da Secretária de Saúde é lenta e vaga. A própria gestão admitiu que a única alternativa seria a privatização de hospitais públicos, como o Hospital Regional, medida que apenas transfere responsabilidade (a um custo enorme) e que levaria ao menos um ano para surtir efeito.

Enquanto isso, os corredores seguem cheios, pacientes esperam dias para uma transferência, e casos graves acabam sendo atendidos de forma improvisada. A fila por um simples leito virou um símbolo do descaso.

💊 Medicamentos essenciais zerados

Se a superlotação é visível, a falta de medicamentos é sentida no dia a dia por quem depende do SUS.

Um relatório oficial do Ministério Público Estadual, divulgado em fevereiro de 2024, mostrou que 107 dos 266 medicamentos essenciais estavam zerados nas unidades de saúde da capital. Ou seja, quase metade dos itens previstos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) simplesmente não existia nas prateleiras.

Um ano depois, nada melhorou. Na Câmara Municipal, vereadores confirmaram que, mesmo em 2025, ainda faltam 17 insumos básicos e 23 medicamentos em UPAs e CRSs. Essa carência atinge desde remédios simples para hipertensão e diabetes até antibióticos vitais para infecções graves.

Tudo isso ocorre apesar do orçamento bilionário. A saúde municipal conta com mais de R$ 2 bilhões anuais mas, na prática, o dinheiro não se converte em atendimento digno para a população.

🚨 Escândalos e investigações

A crise administrativa já ultrapassou o limite da incompetência e entrou na esfera policial.

Na manhã de hoje, a coordenadora da CRAP foi afastada após o sumiço de prontuários médicos, fato que levantou novas suspeitas de irregularidades. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul já havia cobrado, no início de 2024, relatórios mensais sobre o estoque de medicamentos, exigindo explicações sobre a falência da rede. Agora, avança em investigações que podem responsabilizar gestores por omissão.

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Não é o primeiro episódio que coloca a pasta sob suspeita. Conselhos de Saúde já haviam denunciado omissões graves e apontado falhas que afetam diretamente o atendimento. Cada nova denúncia amplia a sensação de abandono da população que depende exclusivamente do SUS.

⚖️ Judicialização explode e consome milhões

Sem alternativa, muitos cidadãos recorrem à Justiça para garantir aquilo que deveria ser um direito básico.

Essa judicialização, no entanto, gera um custo astronômico para os cofres públicos. Somente em 2024, a Prefeitura de Campo Grande gastou R$ 32,4 milhões em sequestros judiciais, valores bloqueados pela Justiça para atender demandas emergenciais de pacientes. Além disso, outros R$ 15 milhões em empenhos da saúde seguem não pagos.

O modelo de gestão é tão falho que um simples insumo, como fraldas geriátricas, vira objeto de processo. Dos R$ 2 milhões previstos para a compra de fraldas, apenas R$ 124 mil foram liberados, obrigando famílias a buscar ajuda na Justiça.

Para agravar o quadro, procedimentos realizados via ordem judicial custam até 10 vezes mais do que cirurgias programadas pela rede. Em vez de planejamento, a gestão opta por apagar incêndios –e isso custa caro e custa vidas.

📊 OS NÚMEROS DO COLAPSO

Leitos

•Déficit de 500 a 1.000 leitos
•80 a 100 pacientes por dia aguardando vaga em UPAs

Medicamentos

•107 medicamentos essenciais zerados desde 2024

•17 insumos e 23 medicamentos ainda faltando em 2025

Judicialização

•R$ 32,4 milhões gastos em ações judiciais

•R$ 15 milhões em empenhos não pagos

•Cirurgias via Justiça custam 10× mais

Orçamento

•R$ 2 bilhões anuais não impediram a crise

•Apenas R$ 124 mil de R$ 2 milhões para fraldas foram liberados

Escândalos

•Sumiço de prontuários médicos sob investigação

•MP cobra relatórios mensais da Secretaria

❌ A pior gestão da história da SESAU de Campo Grande

Com superlotação, medicamentos zerados, judicialização em massa, desperdício de recursos e escândalos policiais, a gestão de Rosana Leite de Melo já é considerada por especialistas, conselheiros e vereadores como a pior da história da saúde pública de Campo Grande.

O SUS, que deveria ser sinônimo de dignidade e acesso universal, transformou-se em um labirinto de filas intermináveis, portas fechadas e promessas vazias. Famílias sofrem, profissionais se esgotam, vidas são perdidas não por falta de conhecimento ou tecnologia, mas por omissão e desgoverno.

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Este não é apenas um problema de gestão. É uma tragédia humana anunciada.

Campo Grande sangra em seus corredores hospitalares. Quem deveria proteger os mais vulneráveis virou cúmplice do caos. O dinheiro existe, mas não chega a quem precisa. As decisões são tomadas, mas não resolvem nada. A indignação cresce, mas a dor da população continua invisível aos olhos de quem tem a caneta na mão.

E é por isso que é preciso dizer com todas as letras:

O caos da saúde em Campo Grande tem um rosto. Tem nome, sobrenome e CPF. E esse rosto não está na fila do SUS, não sente a dor de quem espera, não divide a angústia de quem perde um ente querido por falta de atendimento.

Enquanto a cidade agoniza, a pergunta que fica é: até quando Campo Grande vai suportar tanta negligência?

E mais: até quando a senadora Tereza Cristina e a prefeita Adriane Lopes continuarão avalizando o nome e a permanência de Rosana Leite na Secretaria Municipal de Saúde, mesmo diante de um caos tão evidente?

Foram elas que endossaram essa escolha política. Foram elas que, mesmo com a superlotação, a falta de medicamentos, os escândalos investigados pelo Ministério Público e a judicialização recorde que consome milhões dos cofres públicos, mantiveram a secretária no cargo.

Se hoje crianças ficam sem atendimento, idosos dormem em macas, pacientes voltam para casa sem remédios e prontuários desaparecem misteriosamente, é porque houve conivência política. É porque quem tinha o poder de agir preferiu fechar os olhos.

Campo Grande precisa de respostas. Precisa de explicações claras da senadora e da prefeita. Por que insistir em uma gestão que já se mostrou incapaz, será que a gestora apadrinhada sabe demais? Quem será responsabilizado por cada vida perdida nesse colapso?

Não basta mais discursos ou promessas. A cidade exige ações imediatas. A população clama por uma nova condução na saúde. E quem avalizou este desastre precisa ter a coragem de vir a público, assumir o erro e corrigir o rumo.

Se Tereza Cristina e Adriane Lopes não tomarem providências agora, serão lembradas não como líderes que defenderam o povo, mas como fiadoras do maior colapso da saúde pública da história de Campo Grande.

A omissão tem nome. A responsabilidade tem endereço. E a cobrança é inevitável.

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