"Fruta pobre"

Agepen mantem policial reincidente agora preso acusado de vazar dados sigilosos a facção criminosa de SP

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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), prendeu o policial penal Jonathas Wilson Morais Cândido, nesta quarta-feira (6). O servidor que já tem outras acusações judiciais, se matem no cargo, mas agora preso, deve ter que ser finalmente, ao menos, afastado pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). Ele tem fortes acusação desta vez, que o colocam envolvido com a forte facção criminosa do Estado de São Paulo.

O policial penal foi pego, após surgirem novos elementos na investigação do Gaeco, onde aponta que ele mantinha relação íntima com Edimilson Santos Pereira, apontado como um dos chefes da facção criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

A prisão é mais um desdobramento da Operação Blindspot (veja abaixo, histórico), que já teve outras fases envolvendo o nome do servidor. No dia 9 de julho, por exemplo, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão, embora o pedido de prisão tenha sido negado na época pela Justiça.

Apesar das acusações e de estar novamente no centro de uma grande operação, Jonathas permanece em atividade na Agepen, com salário bruto de R$ 7.334,91, conforme informações do Portal da Transparência. Ele também é citado em uma denúncia registrada em 2022 por ameaça a um vizinho, o que reforça o histórico de condutas suspeitas atribuídas ao servidor.

Agora foi preso

O Gaeco, como dito, com novos elementos na investigação, desta vez, conseguiu na Justiça, a prisão do policial, até porque a acusações são fortes. Jonathas é suspeito de receber dinheiro, manter conversas com pessoas foragidas e outras ações que reforçam seu vínculo com integrantes do PCC.

O processo tramita em segredo de Justiça, e o policial passará por audiência de custódia nesta quinta-feira (7). A operação mira justamente infiltrações do crime organizado dentro do sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul.

A atual e continua investigação, coloca Jonathas como um aliado estratégico da facção, já até ‘retirando’ que ele seria apenas cumplice. “Após negociar uma motocicleta com Edimilson, ele se colocou à disposição do traficante, mesmo sabendo que se tratava de um criminoso perigoso”, aponta Gaeco.

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A relação se estreitou a ponto de o servidor público compartilhar informações sigilosas do sistema prisional e da segurança pública, contrariando completamente as atribuições do cargo que ocupa.

Histórico da relação

O Gaeco aponta que identificou, por exemplo, que em dezembro de 2022, Edimilson pediu a Jonathas que realizasse uma consulta restrita sobre um interno do sistema prisional que lhe devia R$ 300 mil. No dia 13 daquele mês, o policial enviou uma foto da tela do sistema oficial com os dados do preso, quebrando o sigilo funcional.

E ainda, situações semelhantes ocorreram em fevereiro de 2023, quando o agente verificou placas de veículos a pedido do traficante e enviou prints das telas com os resultados.

Além disso, Jonathas chegou a adquirir munições de forma ilegal para repassar a Edimilson e forneceu informações sobre operações em curso, incluindo fotos de um agente do próprio Gaeco durante cumprimento de mandado.

A organização criminosa, conforme apurado pela reportagem, operava com dezenas de envolvidos. Parte do grupo era responsável por armazenar os entorpecentes em depósitos até a comercialização.

Mais núcleos

Conforme inquérito do Gaeco, havia ainda outro núcleo, que atuava no transporte da droga, com motoristas ligados a empresas formais de carga, usados como batedores e condutores de grandes carregamentos. Entre os dias 20 e 25 de agosto de 2022, por exemplo, cerca de 100 kg de droga foram levados até São Paulo por um dos integrantes, que recebeu R$ 12 mil pela viagem.

Mulheres ligadas aos líderes do esquema atuavam na movimentação financeira da facção, realizando transferências e recebendo valores em espécie, em troca de vantagens. A distribuição das drogas ficava a cargo de intermediários que compravam, vendiam e faziam a ponte com terceiros.

Terceiro grupo – A então quadrilha também contava com apoio técnico, como um serralheiro responsável por adulterar cilindros de oxigênio usados para esconder os entorpecentes.

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Toda a engrenagem criminosa veio à tona após a apreensão do celular de Edimilson, durante uma operação do Gaeco. As conversas e registros encontrados no aparelho revelaram não só a estrutura complexa da facção, mas também o nível de influência que ela exercia dentro do Estado, por meio da cooptação do servidor público.

Operação Blindspot

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a organização criminosa usava caminhoneiros cooptados para transportar drogas escondidas sob cargas lícitas, utilizando mochilas, estepes, cilindros de oxigênio e caixas para despistar a fiscalização.

A ação resultou no cumprimento de 67 mandados judiciais, sendo 37 de prisão e 30 de busca e apreensão, nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Em MS, os alvos estavam localizados em Campo Grande, Dourados, Corumbá e Ladário. Já nos outros estados, os mandados foram cumpridos em cidades como São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Mairinque, Mirandópolis, Caiuá (SP) e Uberaba (MG).

Jonathas já havia sido preso preventivamente em março de 2022 durante a Operação Courrier, também conhecida como Sintonia dos Gravatas, que desarticulou um esquema de venda de favores a detentos do PCC, com envolvimento de advogados e servidores públicos. À época, ele foi acusado de facilitar transferências e regalias dentro do sistema penitenciário, mediante pagamento.

Em junho daquele mesmo ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou ilegal a prisão preventiva do policial penal, entendendo que não havia urgência na medida e que ele era réu primário, com histórico funcional considerado positivo até então.

Com isso, foi solto sem tornozeleira eletrônica e segue respondendo ao processo em liberdade, sem medidas cautelares.

As audiências do caso anterior começaram em fevereiro de 2023, na 6ª Vara Criminal de Campo Grande, mas ainda não há sentença definitiva.

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