O Pauta Diária noticiou nesta quinta-feira (28), o início da Operação ‘Carbono Oculto’ e um balanço da ação de força tarefa nacional, que apontava que só em “MS oito empresas estariam em uso no esquema bilionário do PCC no setor de combustível pelo Brasil”. Mas, a considerada e celebrada maior ofensiva contra o braço financeiro da facção criminosa no País, não havia liberado nomes de acusados por esquema revelado, de iniciais R$ 52 bilhões, que teria ido ao Primeiro Comando da Capital, via ao menos 1000 empresas em oito Estados que receberam ontem a Operação.
Veja abaixo, que nesta sexta-feira (29), veio a público as empresas citadas, que podem ter envolvimento direto ou indireto no núcleo da facção criminosa PCC, que em MS contaria com uma rede de sete distribuidoras de combustíveis em Iguatemi, todas situadas no mesmo endereço. E uma era comandada pelo irmão do líder da organização criminosa, que entre outras coisas, arrecadou os bilhões em sonegados impostos federais, estaduais e municipais.
Segundo o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva-SP, a movimentação financeira de uma das empresas teve crescimento espetacular, de R$ 3 milhões para R$ 3 bilhões. Outro detalhe é que uma das companhias não pagava impostos, mas entrou com pedido de ressarcimento de R$ 618,2 milhões do PIS/Pasep junto à Receita Federal.
Os detalhes constam da ‘Carbono Oculto’, deflagrada ontem, em MS, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina, que envolve ainda 40 empresas financeiras, Fintechs, identificadas como financiadoras do esquema.
As empresas em Iguatemi-MS são:
Safra Distribuidora de Petróleo
Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool
Arka Distribuidora de Combustíveis
Império Comércio de Petróleo
Maximus Distribuidora de Combustíveis
Start Petróleo
Alpes Distribuidora de Combustíveis
Forte nome revelado em MS
O processo da Operação tem despacho do juiz Sandro Nogueira, detalhando as investigações da Força Tarefa Nacional que envolveu Polícias Federal e estaduais; Receita Federal, Ministérios Públicos Federal e estaduais; Ministério da Fazenda e Agencia Nacional de Petróleo, devido ser na área do setor de produção e distribuição de combustível do País.
“Compulsando atentamente os autos, possível verificar que, de fato, há fortes indícios de que dá existência de complexa rede de empresas, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, formuladoras, terminais de armazenamento, portos, redes de postos de combustíveis, conveniências e padarias, para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos”, destacou o magistrado no despacho.
“Foram identificados fortes laços do grupo de Mohamad Hussein Mourad com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente através das redes de postos e distribuidoras. Pessoas vinculadas a essas redes, como Ricardo Romano e Leandro Cavallari, possuem mídias negativas associando-os ao PCC”, destacou, sobre Mourad, também chamado de “Primo” ou “João”.
O irmão, Armando Hussein Ali Mourad, dele é presidente da Safra Distribuidora de Petróleo, cuja matriz fica na Rodovia da Balsinha, Km 18, na zona rural de Iguatemi. Todas as outras seis companhias ficam no mesmo endereço. As empresas possuem o capital social idêntico, R$ 4,5 milhões.
“Armando Hussein Ali Mourad também se mostra como pessoa chave na estrutura da organização criminosa investigada, atuando como um dos principais articuladores do grupo, especialmente em conjunto com seu irmão, Mohamad Hussein Mourad. Sua atuação é fundamental para a expansão do grupo e para a blindagem patrimonial e lavagem de capitais”, frisou o magistrado.
Ressarcimento milionário sem pagar imposto
Constituída em 24 de janeiro de 2020, a Império ganha destaque por não pagar tributos estaduais e federais, mas entrar com um pedido milionário de ressarcimento junto ao Governo Federal. De acordo com a Receita, ela solicitou R$ 618,2 milhões de ressarcimento do PIS/Pasep.
“Isso indica que, além de não pagar os tributos devidos, a empresa ainda buscava ressarcimento usando supostos créditos inexistentes. Este modus operandi de fraude na apuração de créditos do regime de incidência não-cumulativa é uma prática comum entre os investigados”, apontou o juiz.
“Conexão com o Grupo Mohamad e o Ecossistema Criminoso: A IMPERIO é uma das distribuidoras que operam conectadas à RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA, a qual é considerada a sucessora das atividades do extinto Grupo COPAPE/ASTER. Todas as distribuidoras destinatárias da RODOPETRO estão conectadas a sedes empresariais também vinculadas ao grupo Mohamad”, destacou.
Crescimento de receita parece milagre
A Maximus ganha destaque no relatório pela evolução espetacular na receita, que pode ser chamada até de milagre. De acordo com o relatório do Ministério Público de São Paulo, a receita da companhia saltou de R$ 3 milhões, registrado em 2021, para R$ 3 bilhões no ano passado. A empresa está em nome do advogado Marcelo Custódio Barcelos, de São José do Rio Preto.
“Essa movimentação financeira é considerada ‘absolutamente incompatível’ com o perfil do seu sócio-administrador. O perfil do sócio-administrador, Marcelo Custodio Barcelos, advogado em São José do Rio Preto/SP, não condiz com a movimentação bilionária da distribuidora, indicando que ele possa ser uma ‘interposta pessoa’ e a empresa uma ‘shell company’ utilizada por terceiros”, destacou o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite.
“A matriz da MAXIMUS (CNPJ 42.877.368/0001-82) está localizada no mesmo endereço da SAFRA DISTRIBUIDORA DE PETROLEO S.A. em Iguatemi/MS, cujo presidente é Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad. Marcelo Custodio Barcelos, administrador da MAXIMUS, é filho de Sidnei Ribeiro Barcelos, administrador da EVEREST DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, outra empresa ligada ao grupo Mohamad.
Milagre semelhante ocorreu com a Start Petróleo, localizada no mesmo endereço em Iguatemi. A distribuidora não teve movimento nenhum nos anos de 2018 a 2020. A quebra do sigilo mostrou compra de R$ 1,186 bilhão em combustíveis de apenas duas distribuidoras do grupo. Apenas no primeiro semestre de 2025, o MPE apontou movimentação de R$ 2,239 bilhões.
“A filial da START PETROLEO S/A (CNPJ 39.334.434/0003-25) é listada entre diversas distribuidoras que utilizam os mesmos IPs (187.0.201.102 e 187.0.201.98) para a emissão de notas fiscais eletrônicas, e vendem para postos que utilizam o mesmo número de telefone, indicando interrelações e uma potencial centralização diretiva ou associativa. É mencionada como uma das distribuidoras com conexões com o crime organizado, e seus vínculos precisam ser aprofundados investigativamente”, apontou o magistrado.























