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FIEMS: CNPJ recém-aberto apresentou mais de 11 mil horas e acende alerta sobre contratos milionários

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Uma empresa aberta com capital social de R$ 5 mil, instalada em uma residência e criada poucos meses antes de disputar um contrato milionário do Sistema S, apresentou atestados que somam mais de 11 mil horas de serviços especializados em tecnologia. Os documentos, emitidos pelo próprio Sesi e por outra empresa ligada ao setor, passaram a alimentar suspeitas sobre um possível esquema para manter contratos milionários sob influência de integrantes da diretoria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).

A suspeita envolve a Blackbird Soluções em Tecnologia Ltda., constituída em novembro de 2023, pouco depois de Luiz Gonzaga Crosara Júnior assumir a vice-presidência da Fiems.

Segundo documentos e informações obtidas pela reportagem do Jornal Midiamax, a empresa teria sido utilizada para substituir a Acto Soluções em Tecnologia Ltda. em uma licitação do Sesi estimada em R$ 1,4 milhão, após mudanças na estrutura societária da empresa anteriormente ligada diretamente a Crosara.

Atestados chamam atenção pelo volume de serviços

Para comprovar capacidade técnica na disputa, a Blackbird apresentou dois atestados.

O primeiro, emitido pelo Sesi, certifica a execução de aproximadamente 1,3 mil horas de serviços em poucos meses de funcionamento da empresa.

O segundo documento, emitido pela Dataneural Tecnologia da Informação Ltda., afirma que a Blackbird executou mais de 10,5 mil horas de serviços em um contrato iniciado em abril de 2024, apenas quatro meses após a abertura da empresa.

Somados, os documentos indicam mais de 11,8 mil horas de atividades técnicas, número considerado elevado por profissionais da área ouvidos pela reportagem.

Especialistas consultados afirmam que uma operação desse porte normalmente exigiria uma equipe multidisciplinar composta por aproximadamente dez profissionais atuando em tempo integral durante um ano, além de estrutura tecnológica robusta para desenvolvimento de software e processamento de dados.

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Empresa começou pequena e disputou contrato milionário

Outro ponto que despertou questionamentos é o perfil da empresa.

A Blackbird foi aberta com capital social de apenas R$ 5 mil e registrada em um imóvel localizado em uma vila residencial de Campo Grande.

Mesmo recém-criada, a empresa apresentou experiência suficiente para disputar um contrato milionário junto ao Sistema S.

Segundo a investigação jornalística, a empresa foi registrada em nome de Adriano Marcelo Marques Miyashiro e Ricardo Servilha Gouvea Filho, ambos apontados como profissionais que já prestavam serviços à Acto.

Ligação entre empresas é alvo de questionamentos

A investigação aponta ainda uma sequência de fatos que chamou atenção.

Até novembro de 2025, Luiz Gonzaga Crosara Júnior figurava como sócio direto da Acto Soluções em Tecnologia. Após deixar formalmente a sociedade, passou a manter participação indireta por meio da holding Meridian Administração e Participações Ltda.

A denúncia sustenta que a Blackbird teria surgido para manter contratos anteriormente vinculados à Acto.

Questionado, Crosara negou qualquer vínculo com a Blackbird.

Segundo ele, Adriano e Ricardo eram apenas prestadores de serviços especializados da Acto.

No entanto, confirmou conhecer os sócios e afirmou que atualmente a Blackbird atua como fornecedora da Acto.

Também negou qualquer influência na contratação da empresa pelo Sesi.

Contrato do Sesi não foi localizado

Outro ponto destacado na apuração é que o atestado emitido pelo próprio Sesi faz referência à execução dos serviços pela Blackbird.

Entretanto, a reportagem informou não ter localizado o respectivo contrato na relação disponibilizada pelo Portal da Transparência do Sistema S.

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A Fiems foi questionada sobre a contratação, a ausência do documento na transparência e os critérios utilizados para emissão do atestado de capacidade técnica.

Até a publicação da reportagem utilizada como base desta matéria, não havia resposta oficial. O espaço permanece aberto para manifestação.

Licitação acabou cancelada

Apesar da Blackbird ter apresentado os documentos de capacidade técnica, a licitação acabou sendo cancelada após questionamentos e recursos administrativos.

Na justificativa oficial, a Fiems informou que o processo foi encerrado em razão do tempo decorrido desde sua abertura e da necessidade de atualização do objeto licitado, com inclusão de novas demandas técnicas.

Até junho deste ano, não havia sido publicada nova licitação para contratação dos serviços.

Sócio da empresa rebate suspeitas

Em nota enviada à imprensa, Ricardo Servilha Gouvea Filho afirmou que a empresa executou todos os serviços contratados “em perfeita conformidade técnica” e negou irregularidades.

Também declarou que desconhece os valores mencionados na reportagem sobre faturamento da empresa e atribuiu as suspeitas ao fato de o mercado de tecnologia em Mato Grosso do Sul possuir poucos profissionais, fazendo com que os mesmos nomes apareçam em diferentes projetos.

Segundo ele, qualquer acusação sem fundamento poderá causar prejuízos irreparáveis à sua trajetória profissional.

As empresas Acto Soluções em Tecnologia e Dataneural Tecnologia da Informação também foram procuradas para se manifestar, mas, até o fechamento da reportagem original, não haviam encaminhado resposta.

A reportagem reforça que todas as pessoas e empresas citadas negam irregularidades ou tiveram espaço aberto para manifestação, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa.

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