Fiems nas Manchetes

Após alívio judicial, Fiems encara nova onda de questionamentos sobre contratos milionários

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Presidente da Fiems teve bens liberados sete anos após investigação da Polícia Federal, enquanto novos contratos e relações entre empresas ligadas ao Sistema S levantam dúvidas e permanecem sem esclarecimentos públicos.

O presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen, conseguiu na Justiça Federal o desbloqueio dos bens que permaneciam indisponíveis desde 2019, quando foi deflagrada a Operação Fantoche, investigação da Polícia Federal que apura supostos desvios de recursos do Sesi em diversos estados brasileiros.

Embora a decisão judicial represente a liberação patrimonial, ela não elimina o histórico da investigação nem encerra os questionamentos sobre a gestão de recursos do Sistema S. O principal fundamento utilizado pela defesa foi a ausência, até o momento, de denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público Federal contra Longen.

À frente da 4ª Vara Federal de Pernambuco, o juiz Jorge André de Carvalho Mendonça entendeu que o longo período transcorrido desde a abertura do inquérito justificava a revogação da medida cautelar de bloqueio de bens.

Bloqueio de R$ 400 milhões marcou operação

Quando a Operação Fantoche foi deflagrada, a Justiça determinou o bloqueio de bens de 24 investigados até o limite de R$ 400 milhões, valor estimado do suposto prejuízo causado por contratos considerados superfaturados.

A investigação apura crimes como fraude em licitações, associação criminosa, lavagem de dinheiro e delitos contra a administração pública.

Em Mato Grosso do Sul, o foco da Polícia Federal recaiu sobre contratos firmados pelo Sesi entre 2010 e 2014. Auditorias do Tribunal de Contas da União apontaram valores significativamente superiores aos praticados por departamentos do Sesi em estados com parques industriais muito maiores, como São Paulo.

Projetos como Sesi Bonecos do Mundo, Cine Sesi e Na Ponta da Língua passaram a ser alvo de análise justamente pela diferença expressiva entre os valores pagos e os custos registrados em outras unidades da federação.

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Na época, além do bloqueio patrimonial, um endereço ligado a Sérgio Longen e a própria Casa da Indústria foram alvo de mandados de busca e apreensão.

Ausência de denúncia não encerra debate sobre transparência

Embora Longen não tenha sido denunciado criminalmente pelo Ministério Público Federal até o momento, especialistas costumam diferenciar a inexistência de denúncia do encerramento definitivo das discussões sobre governança e transparência na administração de recursos públicos ou parafiscais.

A liberação dos bens decorre de uma análise sobre a necessidade da medida cautelar e do tempo transcorrido, não constituindo julgamento de mérito sobre os fatos originalmente investigados.

Novos contratos reacendem questionamentos

Enquanto a Operação Fantoche permanece como um dos maiores episódios envolvendo recursos do Sistema S, novas informações colocam novamente a Fiems sob questionamentos.

Reportagem revelou indícios de um possível entrelaçamento entre empresas contratadas pelo Sesi e integrantes da atual diretoria da Federação.

Entre os casos apontados está a contratação da empresa Blackbird, constituída recentemente, cujos sócios também trabalham para a Acto Soluções em Tecnologia Ltda., empresa que manteve contratos com o Sistema Fiems até 2023.

O então proprietário da Acto, Luiz Gonzaga Crosara Júnior, passou posteriormente a ocupar o cargo de vice-presidente da Fiems.

Documentos societários mostram que, mesmo afirmando ter deixado a empresa, Crosara constituiu uma holding — Meridian Administração e Participações Ltda. — por meio da qual continua exercendo controle societário sobre a Acto.

Funcionários que acompanham os processos administrativos da Federação levantaram a hipótese de que a Blackbird teria sido utilizada para manter contratos anteriormente executados pela Acto, preservando eventual influência sobre os negócios.

Não há, até o momento, decisão judicial que confirme essa suspeita.

Contradições aumentam dúvidas

Ao ser questionado, Crosara afirmou não possuir qualquer vínculo com os sócios da Blackbird.

Entretanto, na mesma manifestação, reconheceu que ambos prestam serviços especializados para a Acto e confirmou que a Blackbird fornece serviços à empresa.

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Também negou qualquer influência na contratação da Blackbird pelo Sesi.

As declarações acabaram reforçando a existência de conexões empresariais entre as companhias, embora o empresário sustente que não exista qualquer irregularidade.

Fiems mantém silêncio

Outro aspecto que chama atenção é a postura institucional da Federação.

Segundo a reportagem, pedidos de esclarecimento foram encaminhados formalmente à Fiems, ao Sesi e ao departamento jurídico da entidade, mas nenhuma resposta foi apresentada até a publicação da matéria.

A ausência de manifestação ocorre em um momento em que diferentes contratos firmados pelo Sistema S em Mato Grosso do Sul vêm sendo alvo de reportagens que apontam relações societárias entre empresas contratadas e integrantes da própria administração da Federação.

Empresa nega irregularidades

O sócio da Blackbird, Ricardo Gouvea, afirmou que a empresa executou integralmente os serviços contratados e contestou os valores de faturamento divulgados.

Também declarou que o mercado de tecnologia em Mato Grosso do Sul é reduzido e que a coincidência entre profissionais não pode ser interpretada como indício de irregularidade.

Segundo ele, qualquer associação entre sua trajetória profissional e práticas ilícitas seria injusta e poderia causar prejuízos à sua reputação.

Transparência continua sendo o principal desafio

Mesmo com o desbloqueio dos bens de Sérgio Longen na Justiça Federal, as sucessivas reportagens envolvendo contratos milionários, empresas ligadas entre si e a ausência de respostas institucionais mantêm vivo o debate sobre transparência, governança e controle na gestão dos recursos administrados pelo Sistema Fiems.

Sem esclarecimentos públicos detalhados sobre os critérios de contratação, a relação entre fornecedores e dirigentes e os mecanismos de compliance adotados, novos questionamentos tendem a permanecer, especialmente diante da relevância dos recursos administrados pelas entidades do Sistema S e do interesse público que cerca sua aplicação.

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