Enquanto a maioria da população de Paranhos enfrenta dificuldades para custear despesas básicas, a Câmara de Vereadores do município decidiu reajustar as diárias parlamentares para valores que beiram o escárnio. Com gastos que já ultrapassaram R$ 289 mil apenas em 2025, os vereadores aprovaram pagamentos de até R$ 1.852,55 por dia para viagens a Brasília valor quase três vezes maior do que o pago pela Câmara Municipal de Campo Grande.
A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 001/2026, publicada no Diário Oficial da Assomasul na última quarta-feira (14), e evidencia uma desconexão alarmante entre o poder público local e a realidade socioeconômica de um município com apenas 12,9 mil habitantes.
De acordo com o texto, os parlamentares passarão a receber R$ 529,30 para deslocamentos de até 150 quilômetros; R$ 1.058,60 para viagens intermunicipais ou interestaduais de até 500 quilômetros; e R$ 1.587,90 para trajetos acima dessa distância. O maior valor, R$ 1.852,55, será pago em viagens à capital federal.
O contraste é gritante. Em Campo Grande, maior cidade do Estado e com orçamento infinitamente superior, a diária paga a vereadores para viagens fora do Estado é de R$ 600, enquanto deslocamentos dentro de Mato Grosso do Sul custam R$ 400. Ou seja, Paranhos, um pequeno município do interior, paga mais que o dobro em alguns casos, quase o triplo.
A situação se torna ainda mais preocupante quando analisado o volume de gastos. Somente em 2025, a Câmara de Paranhos desembolsou R$ 289.807,50 em diárias, valor considerado elevado para um Legislativo composto por apenas nove vereadores.
Nem mesmo os servidores escapam da lógica inflacionada. Embora recebam valores menores que os parlamentares, as diárias também chegam a R$ 1.587,90 em viagens ao Distrito Federal patamar semelhante ao pago para viagens internacionais na América do Sul pela Câmara da Capital.
Outro ponto que chama atenção é o trecho da portaria que determina que os valores serão “fixos e irreajustáveis” durante o exercício financeiro de 2026, o que, na prática, blinda os pagamentos de qualquer revisão ou questionamento ao longo do ano.
Diante do cenário, a decisão levanta questionamentos inevitáveis: quem fiscaliza esses gastos? Onde está o compromisso com a economicidade e o interesse público? Em um município com demandas urgentes em saúde, educação e infraestrutura, o reajuste das diárias soa como um privilégio injustificável.
Mais do que um simples ato administrativo, o aumento das diárias em Paranhos simboliza uma política que parece servir mais ao conforto dos gabinetes do que às necessidades da população. A conta, como sempre, fica para o contribuinte.




















