A PF-MS (Polícia Federal em MS), como pelo Brasil, deflagrou nesta quarta-feira (8) a terceira fase da Operação Nacional ‘Proteção Integral’. A ação visa a repressão a crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente virtual, a Internet. A ação mobilizou 890 agentes da PF e policiais civis em 16 estados, incluindo Mato Grosso do Sul. As policias apuram e querem mostrar que a Internet é um campo de aliciamento, que deve ser preocupação de todos e combatido. Mas, além de uma repressão, há uma prevenção lado a lado
Conforme a PF, que divulgou a ‘Proteção Integral’, já se resultou em 40 prisões em flagrante, duas apreensões de menores e o resgate de duas vítimas. Foram cumpridos, ao todo, 182 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão preventiva.
“A ofensiva nacional, que vem sendo intensificada ao longo de 2025, mira uma modalidade de crime que se torna cada vez mais complexa e difícil de rastrear, especialmente diante do uso de redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns da deep web por abusadores e aliciadores”, aponta nota da PF.
Segundo a Federal, apenas neste ano, entre janeiro e setembro, mais de 1.630 mandados de prisão foram cumpridos contra foragidos condenados por crimes sexuais. “O número ilustra a magnitude do problema e a necessidade de operações continuadas e articuladas entre as forças de segurança. A atual fase da “Proteção Integral” dá sequência às edições anteriores, deflagradas em março e maio de 2025”, ressalta a PF.
Prevenção e Educativo
A ação coordenada reafirma o papel central da PF no enfrentamento de crimes cibernéticos com viés sexual. A instituição reforça ainda o caráter preventivo e educativo da operação, ao recomendar que pais e responsáveis acompanhem de perto a atividade online de crianças e adolescentes.
“A Polícia Federal alerta pais e responsáveis sobre a importância de acompanhar e orientar o uso da internet por crianças e adolescentes, conversando abertamente sobre riscos e ensinando como agir diante de contatos inadequados em ambientes virtuais”, declarou a corporação em nota oficial. “A prevenção e a informação são as ferramentas mais eficazes para garantir a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes.”
Internet como campo de aliciamento
Crimes de abuso sexual infantojuvenil migraram, em parte significativa, para o ambiente digital — onde criminosos exploram o anonimato e a rápida circulação de conteúdo. Segundo levantamento da SaferNet Brasil, só em 2024 foram feitas mais de 80 mil denúncias de crimes de pornografia infantil na internet, com tendência de alta nos primeiros meses de 2025.
Os números reforçam a urgência de ações articuladas como a Operação Proteção Integral. A própria PF reconhece que o trabalho de investigação nesses casos exige “inteligência, tecnologia e cooperação internacional”, dado que os criminosos frequentemente usam servidores fora do país para armazenar ou distribuir material ilegal.
Repressão e prevenção lado a lado
O foco da operação vai além da repressão: trata-se de uma estratégia de prevenção sistemática e de conscientização social. Especialistas em segurança da infância apontam que o enfrentamento eficaz desses crimes depende da combinação entre atuação policial, educação digital e acompanhamento familiar.
Segundo a psicóloga e pesquisadora Ilana Casoy, especialista em crimes sexuais, o ambiente doméstico é o primeiro espaço de proteção: “O diálogo aberto e permanente com a criança sobre o uso da internet, os perigos do contato com estranhos e os limites de exposição é essencial. Não se trata de vigiar, mas de estar presente.”
A Operação Proteção Integral III reafirma, portanto, a necessidade de ação coordenada entre Estado e sociedade. Reprimir o criminoso é vital, mas proteger a vítima antes que o crime ocorra é ainda mais urgente.

























