PT e PSB enfrentam impasses internos e dificuldade para definir candidatura única, em meio à busca por renovação e superação de rejeições passadas no DF.
A formação de uma frente progressista para as eleições de 2026 no Distrito Federal enfrenta entraves que têm dificultado a consolidação de uma candidatura competitiva. A tentativa de reaproximação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que reedita a aliança nacional de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem esbarrado em divergências internas e resistência de parte do eleitorado.
A lembrança do governo do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), encerrado com alta taxa de rejeição, e o desgaste do PT em disputas anteriores são apontados como fatores que exigem uma renovação de discurso e de práticas políticas para reconquistar a confiança do eleitor brasiliense.
Disputa Interna e Falta de Consenso
No PT, a indefinição gira em torno de Leandro Grass, atual presidente do Iphan, e Geraldo Magela, ex-deputado federal. Grass tenta se firmar como nome de consenso em torno do projeto nacional de Lula, enquanto Magela defende a realização de prévias para garantir participação ampla da militância.
O PSB, por sua vez, trabalha o nome de Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e ex-interventor na segurança pública do DF. A pré-candidatura foi oficializada pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, que defende diálogo com o PT, mas sem abrir mão da liderança da chapa.
Segundo o presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, a aliança busca “dar sustentabilidade ao projeto de reconstrução do país” e fortalecer a presença de Lula no DF. Já o presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias, afirma que a prioridade é construir “um caminho único e coerente com o sentimento de mudança”.
Nos bastidores, lideranças como Chico Vigilante e Érika Kokay têm criticado o que chamam de imposição de candidaturas “de fora”, enquanto setores da base defendem mais participação nas decisões.
Desafios e Perspectivas
Além das divergências internas, a esquerda enfrenta um cenário de rejeição nacional ao governo Lula no DF, que chegou a 59,7% em agosto, segundo levantamento da Paraná Pesquisas. Ainda assim, dirigentes acreditam que há espaço para reconstrução política com base em temas locais, como mobilidade urbana, moradia e fortalecimento dos serviços públicos.
A avaliação é que a eleição de 2026 exigirá propostas concretas e renovação de lideranças, para recuperar a conexão com a população. A construção de uma frente progressista dependerá da capacidade de PT e PSB superarem disputas internas e apresentarem um projeto que una identidade política e pragmatismo eleitoral.
No momento, a corrida pelo Buriti segue aberta. A definição sobre quem representará o campo de esquerda deve ocorrer até o início de 2026, após as etapas de diálogo e possíveis prévias partidárias.






















