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Paralisação de enfermeiros expõe colapso na saúde pública do DF e luta por isonomia salarial

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Ato ocorre em frente ao Palácio do Buriti. Categoria denuncia déficit de 1,8 mil profissionais e assédio institucional

Os enfermeiros da rede pública do Distrito Federal cruzarão os braços nesta quarta-feira (11) em uma paralisação de 12 horas, das 7h às 19h, para exigir isonomia salarial, melhores condições de trabalho e a reestruturação do plano de carreira. O movimento inclui um ato público no Palácio do Buriti, a partir das 9h, com participação de estudantes, parlamentares e movimentos sociais.

O protesto é organizado pelo Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF), que denuncia o colapso da rede pública de saúde. Segundo a entidade, há um déficit superior a 1.800 enfermeiros, além de falta crônica de insumos e estruturas hospitalares precárias.

Entre os casos mais graves:

  • O Hospital Regional de Ceilândia (HRC) opera com 146 enfermeiros a menos.
  • O Hospital de Sobradinho (HRS) enfrenta 44% de déficit em sua equipe.
  • No Hospital Regional do Paranoá, que atende cerca de 350 mil famílias, faltam quase metade dos profissionais necessários.

Não há valorização possível diante de tanta sobrecarga e adoecimento”, afirma o presidente do SindEnfermeiro-DF, Jorge Henrique de Sousa, destacando que há hospitais operando com apenas metade do quadro ideal e profissionais realizando jornadas dobradas.

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A categoria também cobra medidas do Governo do Distrito Federal (GDF) para conter o aumento de casos de assédio moral e violência institucional nas unidades de saúde.

Década de desigualdade salarial

A pauta por isonomia salarial entre as carreiras de nível superior da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) é uma reivindicação antiga. Segundo o sindicato, os enfermeiros são hoje os profissionais com os menores vencimentos entre os cargos de mesmo nível hierárquico, apesar de exercerem funções essenciais na rede pública.

A luta tem caráter histórico e social: cerca de 85% da categoria é composta por mulheres, muitas delas mães e arrimos de família, que enfrentam o acúmulo de jornadas e o desgaste físico e emocional de uma rotina extenuante.

Força de Trabalho Invisibilizada

Mesmo diante das dificuldades, os enfermeiros permanecem como pilar da assistência à saúde no DF. Dados do SindEnfermeiro mostram que:

  • Em 2024, foram realizados mais de 2,1 milhões de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
  • Em 2023, os enfermeiros responderam por 55% de todos os atendimentos da Atenção Primária, quase 2 milhões de consultas.
  • Mais de 6 mil partos naturais foram realizados por enfermeiras obstetras no SUS.
  • Foram feitos 110 mil atendimentos de pré-natal e um aumento de 40% na inserção de DIUs, ampliando o acesso a métodos contraceptivos gratuitos.
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Somos a espinha dorsal do SUS, mas seguimos sendo tratados como descartáveis”, critica Sousa.

Tentativa de Criminalização do Movimento

O SindEnfermeiro denuncia que o GDF tem respondido às mobilizações com perseguição judicial. Em uma paralisação anterior, o governo pediu à Justiça que declarasse o movimento abusivo, requerendo multa de R$ 300 mil ao sindicato e R$ 20 mil diários ao presidente da entidade. A Justiça chegou a decretar a ilegalidade preventiva do ato.

A entidade classifica a medida como “prática antissindical” e um ataque direto ao direito de organização coletiva.

“Multar um sindicato é punir o trabalhador que o financia. Não é apenas injusto — é uma tentativa de silenciar uma categoria que sustenta o sistema público de saúde”, afirma o dirigente sindical.

Impasse e Pressão

Até o momento, o Governo do Distrito Federal não apresentou proposta concreta de equiparação salarial. A categoria promete manter a mobilização e não descarta novas paralisações caso as negociações não avancem.

Enquanto o impasse persiste, a paralisação desta quarta-feira ecoa o mesmo grito que há anos percorre os corredores dos hospitais públicos do DF: “Valorização já!”

 

 

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