A partir de 1º de janeiro de 2026, moradores dos 68 municípios atendidos pela Sanesul vão começar o ano com uma notícia nada animadora: a tarifa de água e esgoto ficará 14,60% mais cara. O reajuste, autorizado pelo presidente da Agência Estadual de Regulação (Agems), Carlos Alberto de Assis, é três vezes superior à inflação oficial dos últimos 12 meses, que foi de 4,68%. Uma elevação que promete pesar — e muito — no orçamento de cerca de 702 mil sul-mato-grossenses.
Apesar de ter sido homologado pelo governador Eduardo Riedel (PP) e estar amparado na 2ª revisão tarifária, o aumento expõe, mais uma vez, a dificuldade de conciliar o discurso de eficiência das estatais com o impacto real na vida dos consumidores. A empresa alegou necessidade de “reequilíbrio econômico-financeiro”, argumento comum entre concessionárias, mas que pouco consola quem já enfrenta água cara, serviços considerados insuficientes em vários municípios e um cenário econômico ainda apertado.
A Portaria nº 314, publicada nesta quarta-feira (3), não só confirma o reajuste imediato como já antecipa outro aumento: 7,62% em 1º de janeiro de 2027, novamente acima da inflação projetada para o período. Trata-se de uma política tarifária que, ao que tudo indica, se distancia da realidade financeira do cidadão comum e reforça a sensação de que a conta de água virou um peso desproporcional no orçamento doméstico.
Com os novos valores, a tarifa social — voltada justamente para famílias de baixa renda — terá água variando de R$ 1,23 a R$ 17,43 por metro cúbico, enquanto o esgoto oscilará entre R$ 0,62 e R$ 8,72. Já a tarifa fixa mínima para todos os clientes passará a ser de R$ 17,60, sem considerar o consumo. Para o consumidor residencial padrão, o metro cúbico de água poderá custar até R$ 17,43, e o de esgoto, até R$ 8,72.
No comércio, o metro cúbico poderá chegar a R$ 21,35 (água) e R$ 10,68 (esgoto). Na indústria, os valores podem atingir R$ 28,09 e R$ 14,04, respectivamente — cifras que também pressionam pequenos e médios empreendedores, e que fatalmente são repassadas ao consumidor final.
Vale lembrar que em julho deste ano a Sanesul já havia aplicado outro reajuste, de 5,48% a 5,53%, ou seja, 2025 terminará como mais um ano em que o aumento na conta de água superou a inflação, acumulando elevações que corroem o poder de compra e ampliam desigualdades.
Enquanto isso, permanecem as velhas queixas de usuários sobre interrupções frequentes, baixa pressão, demora no atendimento e falta de transparência nos investimentos. Diante de aumentos tão agressivos, cresce a cobrança por uma prestação de contas mais clara: quais melhorias concretas justificam tarifas tão altas? A população, que paga uma das contas de água mais pesadas do Centro-Oeste, espera mais do que justificativas técnicas — espera respeito.
A Sanesul, como empresa pública responsável por um serviço essencial, deve responder à sociedade com clareza e responsabilidade. E, sobretudo, precisa demonstrar, na prática, que cada centavo desse reajuste retornará em melhorias reais — algo que, até agora, muitos consumidores não conseguem enxergar.





















