A estratégia do Palácio do Buriti para 2026 tinha um objetivo claro: construir a impressão de que a eleição já estava resolvida. Com a máquina pública organizada, alianças reafirmadas e a pré-campanha sendo montada com antecedência, o governador Ibaneis Rocha e sua vice, Celina Leão, vinham repetindo a mesma narrativa a de que o Distrito Federal encaminhava-se para mais um ciclo governista sem sobressaltos.
Mas o roteiro cuidadosamente ensaiado começou a ruir no momento em que José Roberto Arruda decidiu voltar ao centro da arena política.
Nos bastidores, o ex-governador deixou de ser apenas uma especulação e passou a figurar como peça determinante no tabuleiro. As pesquisas revelando empate técnico já causaram incômodo; porém, o impacto político real veio com a definição de sua filiação ao PSD partido que, ironicamente, compõe a base do próprio governo Ibaneis.
A nova equação que o Buriti não previa
A chegada de Arruda ao PSD não apenas altera o mapa eleitoral, mas expõe a fragilidade de uma estratégia que dependia, sobretudo, da sensação de tranquilidade. O governo apostou alto na narrativa de favoritismo, mas ignorou um princípio elementar da política: eleição só termina quando se contam os votos.
Paulo Octávio, presidente regional do PSD, é um exemplo vivo do constrangimento gerado pela súbita virada de cenário. Recentemente, exibiu publicamente apoio ao governo Ibaneis, divulgando ações da gestão e garantindo palanque a Celina Leão. Agora, vê-se diante de uma contradição inédita comandar um partido que sustenta o governo, mas pode lançar um adversário direto contra ele.
Confiança demais, cálculo de menos
A chapa governista, empolgada com a estrutura administrativa e com o poder natural da reeleição, trabalhou para consolidar a percepção de que 2026 seria mera formalidade. No entanto, o excesso de confiança pode ter produzido um efeito colateral: acomodação.
Enquanto o Buriti repetia que a disputa estava resolvida, Arruda se movimentava. Montou um grupo de aliados, pavimentou articulações e passou a agir como candidato competitivo, mesmo com a questão de sua elegibilidade ainda pendente.
A pergunta que se impõe é simples: o governo subestimou a capacidade de mobilização de Arruda ou superestimou sua própria força?
Um fantasma político ronda o Buriti
O fato é que Arruda se tornou justamente aquilo que a chapa Ibaneis–Celina tentava evitar: um elemento de imprevisibilidade.
A aposta prematura na vitória produziu desgaste, expôs contradições internas e obriga agora o grupo governista a recalibrar seus discursos. A disputa que parecia definida virou campo aberto. E, em política, quando a narrativa de “vitória antecipada” desmorona, o prejuízo costuma ser maior do que o próprio resultado das pesquisas.
Os próximos meses dirão se a chapa Ibaneis Celina conseguirá retomar o fôlego e reorganizar sua estratégia ou se terá que lidar, mais uma vez, com o fantasma de um adversário que insiste em sobreviver politicamente sempre que lhe dão por derrotado.





















