Reunião convocada por Celina Leão buscou alinhar secretários e administradores, mas expôs preocupação com narrativa política em meio a problemas concretos
Nesta segunda-feira (12), a governadora em exercício, Celina Leão, convocou uma reunião de cúpula com secretários e administradores regionais no Palácio do Buriti com um objetivo claro: alinhar a narrativa oficial e compilar dados para um “relatório estratégico”. No entanto, o que o governo apresenta como pauta a apresentação de resultados, alinhamento de prioridades e reforço no uso de ferramentas de gestão e tecnologia no planejamento do Governo do Distrito Federal para 2026 soa, para observadores atentos, como uma tentativa tardia de maquiagem institucional e antecipação do palanque para as eleições deste ano.
A orientação é para que secretários e administradores se tornem “porta-vozes” ativos de suas áreas, monitorando ruas e repassando informações ao núcleo central do governo, evidencia a principal preocupação do Buriti: a percepção pública de uma gestão cada vez mais questionada.
Na prática, a cobrança para que gestores “fiscalizem” e relatem o que ocorre nas regiões administrativas soa menos como eficiência administrativa e mais como admissão de distanciamento entre o governo e a realidade cotidiana da população.
Na saúde, o DF segue enfrentando falhas estruturais básicas, como sistemas que não se comunicam entre si, filas persistentes e recorrentes denúncias de falta de medicamentos. Na segurança pública, a retórica de “transformação” contrasta com episódios recentes de violência extrema, incluindo casos de estupro e feminicídio que expuseram fragilidades na rede de proteção, na prevenção e na resposta do Estado.
O encontro também teve um componente claro de blindagem política da própria governadora em exercício. Apesar de pesquisas internas apontarem cerca de 70% de aprovação ao governo, Celina Leão segue sendo ré por corrupção passiva no âmbito da Operação Drácon, acusada de solicitar propina em 2015. A ofensiva de comunicação, coordenada pelas secretarias de Comunicação e da Casa Civil, reforça a construção de uma imagem de liderança firme e trabalhadora, mirando o cenário de 2026, quando Celina deverá assumir definitivamente o comando do GDF com a saída de Ibaneis Rocha para disputar o Senado.
Nos bastidores, a leitura é de que o chamado “ajuste” tem menos relação com corrigir falhas estruturais e mais com antecipar o palanque eleitoral, transformando secretários e administradores em defensores permanentes da gestão.
Enquanto o governo projeta um futuro organizado e promissor em relatórios e apresentações, o presente segue marcado por problemas elementares ainda sem solução. Para críticos, o risco é que o planejamento estratégico se transforme apenas em uma peça de marketing institucional, incapaz de responder às demandas urgentes de uma população que cobra menos discurso e mais resultados concretos.























