Dinheiro Público

Verba indenizatória vira farra e escancara abuso de dinheiro público na Câmara de Campo Grande

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Enquanto a população de Campo Grande enfrenta dificuldades para acessar serviços básicos, os vereadores da Capital transformaram a verba indenizatória em um verdadeiro ralo de dinheiro público. De janeiro a novembro do ano passado, R$ 7,763 milhões foram gastos pelos parlamentares com despesas que vão de divulgação pessoal a assessorias jurídicas, segundo dados oficiais do Portal da Transparência da Câmara Municipal.

O montante só não foi ainda mais escandaloso graças à intervenção do Judiciário. Uma ação popular movida pelo advogado mineiro Sérgio Salles Júnior freou a sanha gastadora do Legislativo municipal, que havia reajustado a verba mensal para R$ 30 mil, num aumento de 78%, em total desconexão com a realidade econômica da cidade. A Justiça anulou o reajuste e reduziu o valor para R$ 25 mil, evitando que o gasto anual saltasse para R$ 10,4 milhões.

Mesmo assim, os números permanecem alarmantes. Com nova decisão do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, a verba foi novamente cortada, desta vez para R$ 16,8 mil mensais, o que pode gerar uma economia de R$ 4,5 milhões por ano  ou R$ 18,3 milhões em um mandato de quatro anos. Uma economia que escancara o óbvio: o valor anterior era exagerado, injustificável e abusivo.

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Divulgação pessoal campeã de gastos

Mesmo com o teto reduzido para R$ 25 mil, alguns vereadores fizeram questão de torrar cada centavo disponível. Os campeões de gastos foram Dr. Victor Rocha (PP) e Veterinário Francisco (União Brasil), que consumiram R$ 275 mil cada em apenas 11 meses.

No caso de Dr. Victor Rocha, 88% da verba foi destinada à divulgação do mandato  jornais, sites, assessoria de imprensa e redes sociais. Ou seja, dinheiro público financiando promoção pessoal. Já a atuação legislativa propriamente dita fica em segundo plano.

O Veterinário Francisco seguiu o mesmo roteiro: 72% da verba usada para divulgação em jornais, redes sociais e material gráfico. Assessoria jurídica ficou com os outros 28%. Ambos devem fechar o ano com R$ 300 mil gastos, enquanto problemas estruturais da cidade seguem sem solução.

Gastos questionáveis e prioridades distorcidas

O veterano Delei Pinheiro (PP) aparece logo atrás, com R$ 274,9 mil. Chama atenção o fato de 34% do valor ter sido gasto com serviços gráficos, em plena era digital, além de 32% com assessoria jurídica. Um retrato claro de prioridades distorcidas.

Já Neto Santos (Republicanos) gastou R$ 274,6 mil, incluindo R$ 5,5 mil mensais apenas com locação de veículo, além de altos custos com combustível — despesas que levantam questionamentos sobre necessidade e razoabilidade.

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Exceção em meio ao desperdício

Em meio à gastança generalizada, o vereador Clodoilson Pires (Podemos) destoou do grupo. Ele foi o mais econômico, com R$ 222,5 mil gastos no período — ainda um valor elevado, mas significativamente menor que o dos colegas. Mesmo assim, o patamar geral de despesas revela um Legislativo desconectado da realidade da população que diz representar.

Justiça faz o que a política se recusa a fazer

O episódio expõe um problema estrutural: a falta de autolimitação e compromisso com o dinheiro público. Se não fosse a intervenção do Judiciário, os cofres municipais continuariam sendo drenados sem pudor, em um modelo que privilegia autopromoção e conforto político, não resultados concretos para a sociedade.

A redução da verba indenizatória não é um ataque à atividade parlamentar — é um freio necessário contra abusos. O que se espera agora é que os vereadores façam o mínimo: respeitem o dinheiro do contribuinte e entendam que mandato não é sinônimo de cheque em branco.

A população observa. E a conta, como sempre, sobra para o cidadão.

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