Distrito Federal

Sem acordo e sob críticas, CLDF adia debate sobre projeto de R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB

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Projeto que autoriza captação de R$ 6,6 bilhões com imóveis públicos é adiado após críticas e falta de consenso na CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) viveu uma terça-feira (24/2) de intensa movimentação e falta de consenso, resultando no adiamento da análise do Projeto de Lei nº 2175/2026. A proposta, enviada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), busca autorizar o uso de imóveis públicos como garantia para que o Banco de Brasília (BRB) capte até R$ 6,6 bilhões e recomponha seu patrimônio após operações malsucedidas com o Banco Master.

Mudança de última hora e “cheque em branco”

O clima de tensão na CLDF foi acentuado pela estratégia do governo de enviar uma nova versão do projeto “a toque de caixa”, momentos antes do início da sessão ordinária. O presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB), criticou a rapidez da mudança, afirmando que a chegada do novo texto durante a reunião “atrapalhou a discussão” e não foi suficiente para acalmar os ânimos da oposição.

Mesmo entre parlamentares da base aliada, a resistência é visível. O deputado Thiago Manzoni (PL) manifestou-se contrariamente, classificando a proposta como um “cheque em branco” por não detalhar os valores individuais dos terrenos listados nem o tamanho real do “rombo” financeiro. Parlamentares da oposição, como Fábio Felix (PSol) e Gabriel Magno (PT), reforçaram a falta de transparência e a ausência de números precisos nos anexos do projeto.

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O que mudou no projeto?

A primeira versão do PL, enviada na sexta-feira anterior, havia causado polêmica ao incluir áreas verdes, como o Parque do Guará, e terrenos próximos à Papuda. Diante da repercussão negativa, o GDF recuou e apresentou um novo texto que:

  • Reduz a lista de 12 para 9 imóveis, excluindo o Parque do Guará e áreas de preservação.
  • Limita o valor do empréstimo a R$ 6,6 bilhões.
  • Inclui novos lotes no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e áreas pertencentes à Caesb, CEB e Novacap, além do terreno do Centro Administrativo (Centrad) em Taguatinga.

Ameaça de federalização e próximos passos

O líder do governo, deputado Hermeto (MDB), defendeu a necessidade de “salvar o banco” para evitar a federalização, que é tratada como um “tabu” e um risco político significativo para o GDF. Segundo fontes internas, o BRB corre contra o tempo, tendo um prazo de seis meses estabelecido pelo Banco Central para executar seu plano de recuperação.

Sem o acordo necessário para a votação imediata, o debate foi postulado para a próxima semana. Na segunda-feira (2/3), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, deve se reunir com os distritais pela manhã para detalhar a real situação patrimonial da instituição e tentar demover as resistências antes que o projeto siga para o plenário.

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Enquanto o impasse político continua, o banco enfrenta a pressão de investidores e órgãos de controle, buscando evitar cenários mais drásticos, como a intervenção ou a liquidação pelo Banco Central.

 

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