Cáceres assiste, com uma mistura de perplexidade e indignação, ao comportamento do atual presidente da Câmara Municipal, vereador Flávio Negação (MDB). Em um episódio que remete aos tempos sombrios de um Mato Grosso regido pelo coronelismo e pela intimidação, Negação usou a tribuna da Casa de Leis, na última segunda-feira (09/03/2026), para proferir o que foi amplamente interpretado como uma ameaça direta a um colega parlamentar.
Ao declarar que “galinha que acompanha pato morre afogado”, o presidente da Câmara não apenas utilizou um ditado popular de tom agressivo, mas sinalizou que a política em Cáceres, sob seu comando, ainda flerta com métodos de coação que a sociedade moderna já não tolera. O vídeo da fala circulou rapidamente, gerando repúdio entre cidadãos que esperam debates de ideias, e não metáforas de extermínio político ou pessoal.
A lei do silêncio para os outros, a ameaça para si torna a postura de Flávio Negação ainda mais ultrajante é a profunda hipocrisia que emana de seu gabinete. Recentemente, o próprio presidente instituiu uma normativa rígida para regulamentar o grupo de WhatsApp dos vereadores, apelidada de “Lei do Silêncio”. A regra proíbe expressamente ofensas, ataques pessoais, ironias e até o compartilhamento de “prints”, sob pena de cassação por quebra de decoro parlamentar.
É um contrassenso autoritário: enquanto Negação tenta amordaçar seus pares no ambiente digital, exigindo “urbanidade” e “respeito institucional”, ele se sente à vontade para usar a tribuna oficial — o coração da democracia local — para destilar intimidações. Parece que, na visão do presidente, o decoro é uma via de mão única.
A memória curta e conveniência política. Não faz muito tempo que o próprio Flávio Negação assinou notas de repúdio contra ameaças sofridas por outros parlamentares. No caso do vereador Pacheco Cabeleireiro, que foi ameaçado por um ex-vereador, Negação afirmou publicamente que a Câmara “não compactuará com atitudes que desrespeitem a democracia e o direito à livre atuação política”. Onde foi parar esse compromisso com o diálogo ético agora que o autor das palavras intimidatórias é o dono da cadeira principal?.
Cáceres não é “Terra Sem Lei”
A região de Cáceres e o estado de Mato Grosso evoluíram. O tempo em que divergências políticas eram resolvidas no grito ou através de recados sinistros ficou no passado. A ênfase precisa ser clara: Cáceres não é mais terra da “antiga lei”. O eleitor exige uma gestão legislativa que se paute pela transparência e pelo cumprimento das leis, e não por posturas que lembram o “olho por olho”.
Enquanto o presidente se ocupa em medir o tamanho do “afogamento” de seus opositores, problemas reais como a falta de água e a infraestrutura precária da cidade continuam a castigar a população. Flávio Negação precisa entender que a presidência de uma Câmara exige equilíbrio e estatura moral, qualidades que desaparecem quando o representante do povo prefere o papel de ameaçador ao de mediador. Cáceres exige respeito e modernidade; o coronelismo de frases feitas já não tem lugar naquela tribuna.






















