A rede pública de saúde do Distrito Federal enfrenta uma escalada de tensão diante dos sucessivos atrasos salariais que atingem trabalhadores terceirizados vinculados ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGES-DF). O problema, que já ultrapassa 100 dias, compromete o funcionamento de unidades estratégicas como o Hospital de Base e o Hospital Regional de Santa Maria.
A crise tem como um de seus principais focos a empresa Diagnose, responsável pelos serviços de diagnóstico por imagem em hospitais geridos pelo instituto. Sem receber repasses desde dezembro de 2025, a empresa acumula uma dívida superior a R$ 10 milhões. O impacto é direto, cerca de 300 mil exames mensais, fundamentais para cirurgias, tratamentos oncológicos e atendimentos emergenciais, estão sob risco.
Nos bastidores das unidades de saúde, o cenário é de apreensão. Aproximadamente 400 trabalhadores, entre técnicos e profissionais administrativos, convivem com a incerteza financeira. Há relatos de desmotivação, afastamentos por estresse e até paralisações pontuais em setores críticos, o que já provoca atrasos na liberação de exames e no andamento de procedimentos médicos.
A crise também ganhou repercussão política. Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, parlamentares têm cobrado explicações e medidas urgentes. A deputada Dayse Amarilio criticou a demora na regularização dos pagamentos e destacou o impacto direto na vida dos trabalhadores. Já o deputado Gabriel Magno apontou o acúmulo de ações trabalhistas envolvendo o IGES-DF e questionou a transparência da gestão junto ao Tribunal de Contas do Distrito Federal.
Outros parlamentares, como Jorge Vianna e Eduardo Pedrosa, ampliaram as críticas ao denunciar que atrasos também atingem educadores sociais voluntários, evidenciando que o problema vai além da área da saúde.
Em resposta, o IGES-DF afirma que os pagamentos estão condicionados à adequação a novos critérios estabelecidos pelo Tribunal de Contas, com o objetivo de garantir segurança jurídica na aplicação dos recursos públicos. Segundo o instituto, a empresa contratada não concorda com os novos parâmetros de cálculo, o que tem travado a liberação dos valores.
Enquanto o impasse administrativo se prolonga, especialistas alertam para os efeitos diretos na população. A interrupção ou redução dos serviços de diagnóstico por imagem pode comprometer o diagnóstico precoce de doenças graves, como o câncer, além de agravar filas e sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde.





















