O avanço do crime organizado para dentro de estruturas públicas já é uma realidade em Mato Grosso do Sul. O alerta foi feito pelo procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, durante evento realizado nesta terça-feira (5), em Campo Grande, que reuniu autoridades para discutir estratégias de enfrentamento às organizações criminosas.
Segundo o chefe do Ministério Público, as investigações no Estado deixaram de se concentrar apenas em facções tradicionais e passaram a alcançar estruturas mais complexas, incluindo a atuação de grupos criminosos infiltrados em órgãos públicos.
“Não são apenas organizações criminosas tradicionais. Por vezes há grupos criminosos atuando dentro de órgãos públicos ou de entes federados. A partir do momento em que surgem novos elementos, há desdobramentos naturais e as investigações continuam”, afirmou, sem detalhar quais instituições estariam sob apuração.
Novo foco: dinheiro e estrutura das organizações
O debate ocorre em um momento de mudança na forma de combate ao crime organizado. Mais do que prender lideranças, as autoridades agora miram o funcionamento das redes criminosas, especialmente o fluxo financeiro que sustenta as atividades ilegais.
O diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Dennis Cali, destacou que o principal desafio é interromper a engrenagem econômica dessas organizações.
“O desafio é desmantelar essas organizações com foco na asfixia financeira”, afirmou.
De acordo com ele, mesmo com a prisão de líderes, muitas facções continuam operando por meio de intermediários e operadores responsáveis por manter a estrutura ativa.
“A gente vê que a maioria dos líderes está presa, mas a organização continua funcionando”, completou.
Fronteira amplia complexidade
A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia, também foi destacada como fator que contribui para a complexidade do problema. O tráfico de drogas segue como um dos principais vetores de financiamento de atividades criminosas.
“São crimes que caminham juntos. O tráfico muitas vezes está na raiz de vários crimes violentos”, concluiu Cali.
O encontro reforçou a necessidade de integração entre órgãos como Ministério Público, Judiciário e forças policiais, com foco em inteligência, rastreamento financeiro e recuperação de ativos ilícitos como estratégias centrais no enfrentamento ao crime organizado.






















