Os professores da Universidade de Brasília vivem uma semana decisiva que poderá culminar na paralisação das atividades acadêmicas da instituição. A categoria foi convocada pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) para uma assembleia geral marcada para a próxima quinta-feira, 14 de maio, às 15h30, no auditório da entidade, onde será votado o indicativo de greve.
A mobilização ocorre em meio ao crescente desgaste entre os docentes e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), após o governo federal sinalizar a ampliação para 100% da absorção da Unidade de Referência de Preços (URP), benefício incorporado historicamente à remuneração de parte dos servidores da universidade.
Atualmente, o ministério já aplica uma absorção de 60%, medida considerada ilegal e unilateral pelos docentes, que alegam ausência de acordo formal e inexistência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Segundo a ADUnB, a possibilidade de absorção integral representa perdas salariais significativas, afetando reajustes, promoções e progressões funcionais.
Outro ponto que ampliou a tensão foi a indicação de que o governo poderá cobrar retroativamente os valores da URP a partir de março de 2025. A possibilidade de descontos retroativos provocou forte reação entre professores ativos, aposentados e pensionistas.
A assembleia do dia 14 é tratada pela categoria como o momento mais importante da atual mobilização. Em reunião realizada no último dia 6 de maio, os docentes já haviam demonstrado forte insatisfação com a condução das negociações pelo governo federal, decidindo intensificar os atos e preparar a votação sobre a paralisação.
Calendário de mobilização
Como preparação para a assembleia, a ADUnB organizou uma agenda de atividades ao longo da semana:
- Segunda-feira (11): reuniões do Comitê de Mobilização e encontros com docentes que ainda não recebem a URP;
- Terça-feira (12): reunião com aposentados e pensionistas;
- Terça (12) e quarta-feira (13): mobilizações gerais da categoria;
- Quinta-feira (14): assembleia geral com votação do indicativo de greve;
- Sexta-feira (15): reunião prevista com a Reitoria da UnB para discutir os desdobramentos da decisão.
Nos bastidores, a Reitoria da universidade tenta atuar como mediadora do conflito. A administração da UnB apresentou questionamentos técnicos ao governo federal sobre os impactos da absorção na folha de pagamento e defende a suspensão das medidas até julgamento definitivo do STF.
Já o MGI sustenta que a reabertura do sistema de pagamentos ocorrerá apenas para implementar integralmente a absorção da URP, alegando respaldo técnico e jurídico, inclusive com base em entendimentos relacionados ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Para os docentes, entretanto, a postura do governo é considerada “rígida” e “desrespeitosa”. A expectativa agora gira em torno da assembleia do próximo dia 14, que poderá definir a deflagração de uma greve com impacto direto no funcionamento acadêmico da Universidade de Brasília.






















