Cade vê indícios de alinhamento de preços e recomenda condenação do Sindicombustíveis-DF

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A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF) e de seu presidente, Paulo Roberto Correa Tavares, por suposta infração à ordem econômica relacionada à indução de conduta comercial uniforme no mercado de combustíveis do Distrito Federal. 

A recomendação consta em parecer técnico elaborado pela Superintendência-Geral do Cade, que aponta um padrão contínuo de manifestações públicas realizadas entre 2022 e 2025 com potencial de influenciar postos de combustíveis na definição de preços, margens de lucro e estratégias comerciais. 

Segundo a investigação, o sindicato teria divulgado informações consideradas “concorrencialmente sensíveis”, incluindo custos operacionais, impactos tributários, repasses de distribuidoras e limites mínimos de viabilidade econômica para os postos. Para a área técnica do Cade, essas manifestações poderiam funcionar como mecanismos de sinalização entre concorrentes, reduzindo a competição e desestimulando a queda de preços ao consumidor. 

Mais de 200 comunicações analisadas 

O processo teve início em 2021 e reuniu um amplo conjunto probatório. De acordo com a SG/Cade, foram analisados mais de 200 registros de comunicações públicas envolvendo o sindicato e seu presidente. 

Entre os materiais examinados estão: 

  • Publicações em redes sociais, especialmente Instagram e YouTube; 
  • Entrevistas concedidas à imprensa; 
  • Transmissões ao vivo; 
  • Episódios do podcast “O Dono do Posto”, apresentado por Paulo Tavares. 
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Na avaliação técnica do Cade, o conteúdo dessas manifestações extrapolaria a simples representação institucional do setor e poderia servir para orientar o comportamento comercial de empresas concorrentes. 

Mercado altamente concentrado no DF 

A análise do Cade também destaca características específicas do mercado de combustíveis no Distrito Federal. O órgão identificou elevado grau de concentração societária entre os postos da capital. 

Segundo os dados do processo, Brasília possui 372 estabelecimentos do setor, mas há grupos econômicos e indivíduos com participação relevante em dezenas de unidades. Em um dos casos citados, um mesmo controlador teria participação em até 74 postos de combustíveis. 

A Superintendência-Geral também apontou que os chamados postos de “bandeira branca”, que em tese poderiam ampliar a concorrência no mercado, possuem atuação limitada no DF porque muitos pertencem a grandes grupos econômicos já consolidados. 

Para o Cade, esse cenário aumenta o risco de coordenação entre agentes econômicos e torna o mercado mais sensível a práticas de alinhamento informal de preços. 

Penalidades podem incluir multas e restrições 

Caso o Tribunal Administrativo do Cade acompanhe o parecer da Superintendência-Geral e reconheça a infração, as penalidades podem ser expressivas. 

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Entre as possíveis sanções estão: 

  • Multas de até 15% do faturamento bruto das empresas associadas no ano anterior à abertura do processo; 
  • Proibição de contratar com instituições financeiras oficiais; 
  • Impedimento de participar de licitações públicas federais, estaduais e municipais por prazo mínimo de cinco anos. 

O julgamento será conduzido pelo plenário do Cade sob relatoria da conselheira Camila Cabral Alves. Ainda não há data definida para a análise final do caso. 

Sindicato diz que atuação foi transparente 

Em nota oficial, o Sindicombustíveis-DF e Paulo Tavares afirmaram receber a recomendação “com tranquilidade” e ressaltaram que o parecer da Superintendência-Geral possui caráter opinativo, sem efeito condenatório automático. 

A defesa sustenta que a atuação da entidade se limitou à divulgação de informações de interesse público relacionadas à carga tributária, custos operacionais e impactos econômicos do setor de combustíveis. 

O sindicato também argumenta que suas manifestações estão protegidas pela liberdade de expressão e pela atividade sindical legítima, negando qualquer tentativa de alinhamento de preços entre postos. 

Paulo Tavares destacou ainda que o histórico do processo inclui manifestações anteriores favoráveis ao arquivamento da investigação, o que, segundo ele, demonstraria a complexidade jurídica e técnica do tema.

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