A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) enfrenta uma grave crise interna após a entrega de um dossiê à Presidência da Casa com denúncias de assédio moral, monitoramento indevido de servidores e possíveis irregularidades em contratos milionários da área de tecnologia.
O documento reúne relatos de servidores que apontam um ambiente de trabalho marcado por pressão psicológica, perseguições internas e falta de transparência na Diretoria de Modernização e Inovação Digital (DMI). A situação culminou em afastamentos, investigações e uma debandada de servidores da área técnica.
Pressão e clima de hostilidade
Segundo o dossiê, os problemas começaram após mudanças na chefia da DMI em março de 2025. Servidores afirmam que passaram a sofrer restrições para relatar falhas em processos licitatórios e denunciar inconsistências em contratos.
Os relatos também descrevem um ambiente de intimidação, incluindo reclamações sobre o ar-condicionado mantido em 16ºC e proibição de contato com a manutenção predial para registrar desconfortos.
O desgaste interno provocou sucessivos pedidos de transferência e exoneração. Em pouco mais de um ano, nove servidores deixaram o setor devido ao clima organizacional.
Suspeita de monitoramento indevido
Um dos pontos mais graves envolve a utilização de ferramentas de “Deep Inspection”, tecnologia capaz de monitorar o tráfego de dados na rede corporativa da CLDF.
Segundo os servidores, o sistema teria sido implementado sem comunicação formal e sem deliberação do Comitê Gestor de Dados. Também houve relatos sobre a instalação do programa “Stunnel” nas máquinas da equipe sem autorização prévia dos usuários.
Embora a diretoria alegue que os mecanismos tinham finalidade de segurança institucional, o dossiê levanta suspeitas de possível monitoramento interno e quebra de sigilo funcional.
Contrato milionário levanta questionamentos
O documento também aponta suspeitas em um contrato de segurança de rede que saltou de R$ 265 mil para R$ 4,4 milhões, aumento de 1.555%.
Servidores afirmam que alertaram sobre riscos de desperdício de recursos públicos e falta de análise técnica adequada antes da contratação.
Afastamentos e debandada técnica
Diante da repercussão, o presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz, determinou o afastamento do diretor da DMI, Walério Oliveira Campôres, por 60 dias, além da exoneração do chefe do Seinf, Pedro Cunha Celestin.
A Polícia Civil do DF e o Ministério Público foram acionados para investigar as denúncias, enquanto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar os fatos.
A crise se agravou com a entrega coletiva de cargos comissionados por 12 servidores da área de tecnologia, que alegaram pressão excessiva, instabilidade institucional e deterioração do ambiente de trabalho.
O episódio aumentou a pressão sobre a gestão da Casa e expôs uma forte crise administrativa e institucional dentro da CLDF.




















