A população de Várzea Grande voltou a cobrar prioridade da classe política após a divulgação de um repasse milionário para a realização da ExpoVG 2026, enquanto bairros inteiros seguem enfrentando falta de água e problemas crônicos no abastecimento.
Extrato publicado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC-MT) aponta que a feira agropecuária recebeu R$ 3,5 milhões em emenda parlamentar destinada pelo deputado estadual Fábio Tardin, conhecido como Fabinho. O recurso foi encaminhado à Associação Cuiabana Belas Artes (ACUBÁ), responsável pelas ações técnicas e operacionais do evento.
O valor, porém, representa apenas parte dos custos da ExpoVG, que ainda contou com patrocínios privados, apoio institucional e estrutura para realização de shows nacionais, rodeio e atrações de grande porte.
Enquanto o dinheiro público financiava a festa, moradores usavam as redes sociais para denunciar a realidade enfrentada diariamente em diversos bairros da cidade: torneiras vazias, baixa pressão, falta de abastecimento e o abandono do sistema de água administrado pelo DAE (Departamento de Água e Esgoto).
A revolta aumentou porque o investimento milionário ocorre justamente em meio a uma crise histórica no saneamento básico de Várzea Grande, problema que atravessa gestões e afeta diretamente milhares de famílias. Em vários pontos do município, moradores relatam conviver há anos com interrupções constantes no fornecimento de água, especialmente em períodos de calor intenso.
Para parte da população, a destinação dos recursos escancara uma inversão de prioridades. Enquanto faltam investimentos estruturais para ampliar reservatórios, modernizar redes de distribuição e recuperar o sistema de captação, milhões são liberados para um evento de poucos dias.
Críticos da gestão municipal e do uso das emendas parlamentares afirmam que o dinheiro público deveria priorizar serviços essenciais antes de financiar eventos festivos. “Não adianta fazer festa milionária enquanto a população não consegue tomar banho ou encher uma caixa d’água”, reclamou uma moradora nas redes sociais.
O contraste entre o palco iluminado da feira e a rotina de bairros sem abastecimento transformou a ExpoVG em símbolo de uma crise maior: a sensação de abandono enfrentada por moradores que seguem pagando contas, mas convivendo diariamente com a precariedade dos serviços públicos.
A situação também reacende o debate sobre a transparência na aplicação das emendas parlamentares e os critérios adotados para definir prioridades em municípios que ainda enfrentam graves problemas de infraestrutura básica.
Enquanto os shows terminam e as luzes da feira se apagam, a cobrança da população permanece a mesma: água nas torneiras e investimentos reais em qualidade de vida.























