Setur-DF anula repasse de R$ 5,5 milhões para ExpoDireito após pareceres contrários

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A Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) recuou e anulou o termo de cooperação que previa o pagamento de R$ 5,5 milhões para custear o aluguel do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), local onde será realizada a ExpoDireito 2026. A decisão ocorreu poucas horas após a divulgação de reportagens apontando possíveis irregularidades na destinação dos recursos públicos para o evento privado. 

O cancelamento foi oficializado na noite da última quarta-feira (27/05) pelo secretário interino de Turismo, Bernardo Antunes. No despacho, a Setur justificou a anulação afirmando que foram identificados “vícios jurídicos insanáveis” no processo, conforme parecer emitido pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF). 

Repercussão pública acelerou recuo 

A medida foi tomada após forte repercussão negativa envolvendo o uso de dinheiro público para financiar parte da estrutura da ExpoDireito 2026, evento privado com ingressos que chegam a R$ 4 mil. 

As críticas ganharam ainda mais força diante do cenário fiscal enfrentado pelo Distrito Federal, que atualmente registra déficit orçamentário estimado em cerca de R$ 2 bilhões. 

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Segundo informações reveladas pela imprensa, a Secretaria de Economia já havia autorizado a liberação dos recursos a pedido da Setur-DF, mesmo após alertas técnicos emitidos por órgãos de controle do próprio governo. 

Órgãos de controle apontaram irregularidades 

Antes da decisão de anular o contrato, a Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) e a Procuradoria-Geral do DF já haviam se manifestado contra a formalização do acordo. 

Entre os principais problemas apontados estavam: 

  • ausência de processo licitatório; 
  • falta de comprovação de inviabilidade de concorrência; 
  • possível direcionamento da contratação; 
  • ausência de pesquisa de mercado para comparação de preços; 
  • indícios de favorecimento político. 

A CGDF destacou que a empresa responsável pela organização do evento, o Grupo Notorium, já teria definido previamente o local da realização e o valor do repasse solicitado ao governo, sem qualquer estudo técnico que justificasse a escolha. 

Ligação com sócio de Ibaneis aumentou pressão 

Outro ponto que ampliou a controvérsia foi o envolvimento do advogado Valdetário Monteiro, coordenador acadêmico da ExpoDireito e sócio do ex-governador Ibaneis Rocha em escritório de advocacia. 

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A relação levantou questionamentos sobre eventual conflito de interesses e possível utilização da estrutura pública para beneficiar aliados políticos do governo distrital. 

Ministério Público de Contas acionou TCDF 

Paralelamente à repercussão pública, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPC-DF) acionou o Tribunal de Contas do DF (TCDF) pedindo a suspensão imediata do pagamento. 

Na representação, o MPC sustentou que o acordo configurava, na prática, uma transferência direta de recursos públicos para uma empresa privada, disfarçada sob justificativa de promoção do turismo e desenvolvimento econômico. 

Após o recuo, a Setur-DF afirmou em nota que a anulação ocorreu em “estrito cumprimento” às recomendações da PGDF. A pasta também declarou que a decisão já estava sendo avaliada internamente antes da atuação formal dos órgãos de controle. 

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