Dinheiro Público

Sonora diminui prazo de contrato com empresa da Operação Gomorra, porém mantém valor milionário

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A Prefeitura de Sonora/MS publicou nesta semana no Diário Oficial dos Municípios uma correção considerada, no mínimo, curiosa em contrato firmado com a empresa Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda., companhia investigada em Mato Grosso por suspeitas de fraude em licitações e envolvimento em um suposto esquema bilionário de contratos públicos.

No documento oficial, a administração municipal alterou o prazo de vigência do contrato que inicialmente previa aditivo de 12 meses. Após a “incorreção”, o período passou para apenas seis meses  porém, o valor total do contrato permaneceu em R$ 2.326.895,76.

O trecho publicado chama atenção pela discrepância matemática e administrativa.

Inicialmente, a prefeitura informou:

“DA VIGÊNCIA: O prazo de vigência do Contrato será aditivado em 12 (doze) meses, passando de 26/05/2026 para 26/11/2026.”

Posteriormente, corrigiu:

“DA VIGÊNCIA: O prazo de vigência do Contrato será aditivado em 06 (seis) meses, passando de 26/05/2026 para 26/11/2026.”

Apesar da redução do período contratual, o município manteve o mesmo valor global de R$ 2,3 milhões, alegando valor mensal de R$ 387.815,96, totalizando o montante para os seis meses de vigência.

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O documento é assinado pela prefeita Maria Clarice Ewerling, além de secretários municipais e do representante legal da empresa, Janio Correa da Silva.

Empresa investigada por corrupção amplia contratos em MS

A Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda., sediada em Chapada dos Guimarães (MT), tornou-se alvo nacional após a deflagração da Operação Gomorra, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

A investigação apura suposto esquema de fraudes em contratos públicos envolvendo abastecimento e manutenção de frota, com movimentações milionárias em órgãos públicos e prefeituras.

O principal articulador ligado à empresa, Edézio Corrêa, tornou-se réu no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) após denúncia criminal aceita em fevereiro deste ano. Mesmo assim, a empresa continuou expandindo contratos em Mato Grosso do Sul, principalmente por meio de adesões conhecidas como “atas carona”.

Levantamentos apontam que a empresa já acumula contratos superiores a R$ 150 milhões com prefeituras sul-mato-grossenses.

Questionamentos sobre fiscalização

A manutenção do valor milionário mesmo após a redução pela metade do prazo contratual deve provocar questionamentos de órgãos de controle, especialmente sobre possível inconsistência nos cálculos apresentados pela prefeitura.

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Nos bastidores políticos, também cresce a pressão para identificação de agentes públicos responsáveis por facilitar a entrada e expansão da empresa em municípios de Mato Grosso do Sul, mesmo diante das investigações em andamento em Mato Grosso.

A publicação reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle em adesões de atas e contratos públicos firmados com empresas investigadas por corrupção.

Até o momento, a Prefeitura de Sonora não se manifestou oficialmente sobre a divergência entre o prazo corrigido e o valor mantido no contrato.

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