Uma operação conjunta do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) colocou novamente o nome do ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, no centro de uma investigação sobre supostos crimes contra a administração pública. Deflagrada nesta quarta-feira (17), a Operação Black-Tie apura indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo agentes públicos e particulares.
As investigações apontam para uma movimentação financeira incompatível com a renda oficialmente declarada pelos investigados. Segundo os órgãos responsáveis pela apuração, um dos elementos que chamou a atenção foi a aquisição de roupas de grife, ternos de alto padrão e outros artigos de luxo pagos em dinheiro vivo, prática considerada suspeita por dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
O principal alvo da operação é o ex-secretário Ney Ferraz, que já havia deixado o comando da Secretaria de Economia após condenações relacionadas a casos anteriores de corrupção e lavagem de dinheiro. Além dele, um servidor da pasta também é investigado.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Planaltina, no Noroeste e em repartições públicas do Governo do Distrito Federal, incluindo dependências do Anexo do Palácio do Buriti. O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) autorizou medidas para bloqueio e preservação de patrimônio dos investigados, com o objetivo de impedir eventual ocultação ou transferência de bens.
A investigação teve início em fevereiro de 2025 e é mais um capítulo na trajetória judicial de Ney Ferraz. Em decisões anteriores, o ex-secretário foi condenado por crimes relacionados à ocultação de patrimônio e, posteriormente, recebeu pena de nove anos e nove meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. As acusações envolvem o suposto recebimento de aproximadamente R$ 1,6 milhão em propinas durante sua atuação em cargos públicos.
Em nota, a Secretaria de Economia informou que aguarda o acesso aos detalhes da operação para avaliar possíveis medidas administrativas. A pasta destacou ainda que o servidor investigado possui vínculo com gestões anteriores. Até o momento, a defesa de Ney Ferraz não se manifestou sobre as novas acusações.
As investigações seguem sob sigilo judicial e os órgãos responsáveis afirmam que novas diligências poderão ser realizadas conforme o avanço da apuração. A Operação Black-Tie reforça o cerco das autoridades contra práticas de corrupção e lavagem de dinheiro no Distrito Federal, especialmente em casos que envolvem agentes públicos e movimentações patrimoniais incompatíveis com a renda declarada.



















