Levantamento da FETEMS aponta que município está distante dos primeiros colocados na remuneração dos profissionais da educação, apesar da forte capacidade financeira
Um levantamento divulgado pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) revelou um cenário que tem gerado debates sobre a valorização dos profissionais da educação em Maracaju. Apesar de figurar entre os dez municípios com maior arrecadação de Mato Grosso do Sul, a cidade aparece apenas na 26ª posição no ranking estadual de salários pagos aos profissionais da educação.
Segundo o relatório, a remuneração considerada para comparação em Maracaju é de R$ 5.327,20, enquanto o maior salário do Estado é pago em Três Lagoas, onde os profissionais recebem R$ 7.775,06. A diferença entre os dois municípios chega a R$ 2.447,86.
O levantamento também evidencia outro indicador considerado preocupante. No ranking específico dos professores com curso superior, Maracaju ocupa apenas a 52ª colocação, com salário de R$ 6.925,36. Novamente, Três Lagoas lidera a lista, pagando R$ 11.662,59, uma diferença de R$ 4.737,23.
Os números chamam a atenção porque Maracaju possui uma das economias mais fortes do Estado, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pela elevada arrecadação de tributos. Entretanto, esse potencial financeiro não se reflete na remuneração dos profissionais da educação, conforme os dados apresentados pela FETEMS.
Professores da rede municipal ouvidos pela reportagem, que solicitaram anonimato por receio de eventuais represálias, afirmam que o cenário tem provocado desmotivação entre os servidores.
“Investimos em graduação, especializações e diversos cursos de aperfeiçoamento esperando reconhecimento profissional, mas isso não acontece. A cidade tem recursos financeiros, o que falta é prioridade para valorizar a educação”, relatou um dos professores.
Outro educador afirmou que muitos profissionais se sentem desestimulados diante da defasagem salarial em comparação com municípios que apresentam realidade financeira semelhante ou até inferior.
Para representantes da categoria, os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre a aplicação dos recursos destinados à educação e sobre as políticas de valorização do magistério, especialmente em municípios que possuem elevada capacidade de arrecadação.
O estudo também reacende a discussão sobre a utilização dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o cumprimento das políticas públicas voltadas à valorização dos profissionais da educação previstas na legislação.
Comparativo dos salários
Profissionais da Educação
- 1º lugar: Três Lagoas – R$ 7.775,06
- 26º lugar: Maracaju – R$ 5.327,20
- Diferença: R$ 2.447,86
Professores com Curso Superior
- 1º lugar: Três Lagoas – R$ 11.662,59
- 52º lugar: Maracaju – R$ 6.925,36
- Diferença: R$ 4.737,23
A divulgação do levantamento da FETEMS deverá servir de base para novas discussões entre sindicatos, profissionais da educação, vereadores e gestores públicos sobre a valorização do magistério e a destinação dos recursos públicos para a educação em Mato Grosso do Sul.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Maracaju e da Secretaria Municipal de Educação, caso desejem apresentar esclarecimentos sobre os critérios de remuneração dos profissionais da rede municipal de ensino e as políticas de valorização da categoria.






















